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Análise do setor de construção civil

No artigo de hoje trazemos uma análise do setor de construção civil e falaremos a respeito de Tenda (TEND3) e EZTEC (EZTC3). Além disso, você pode conferir o vídeo MRV (MRVE3) x Tenda (TEND3) - Conheça a nossa preferida.

Panorama do setor

Lançamentos

De acordo com estudo da CBIC, no terceiro trimestre de 2018 foram lançadas 21.463 unidades residenciais. Esse número representa uma queda de 17,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior e evolução de 30,1% na comparação com o mesmo período de 2017.

A região Nordeste do país foi a única a apresentar retração na base anual, passando de 2.298 unidades para 2.093 (-8,9%). Foi registrada queda nas regiões metropolitanas de Recife e João Pessoa, compensando totalmente o crescimento de Fortaleza e Maceió. Destaque para o Centro-Oeste, com variação positiva de 103,8%, atingindo 1.453 unidades lançadas. No Sudeste, principal mercado do país, houve incremento de 16,3% na comparação com o terceiro trimestre do ano anterior, chegando a 12.917 unidades lançadas. São Paulo e Vitória registraram variações positivas de 22,9% e 101,2%, respectivamente.

Unidades vendidas

O número de unidades vendidas superou os lançamentos do período em mais de quatro mil e setecentos imóveis residenciais. Dessa forma, acarretando em uma considerável redução de estoques. Este movimento demostra que o mercado está aumentando a demanda, mas a oferta não está respondendo adequadamente. A causa está no alto endividamento dos participantes e na falta de condições das empresas para receber o crédito que auferiam na época de expansão do setor. As instituições financeiras também não estão muito confortáveis com esta situação e demonstram restrições quanto ao financiamento da indústria.

O melhor desempenho na venda de imóveis residenciais (3T18/3T17) foi observado na região Norte, com incremento de 76,5%. Após, temos Sudeste, com 53,4%. Nordeste e Centro-Oeste foram as únicas a apresentar queda, com variações negativas de 18,4% e 2,0% e impacto das cidades de Porto Alegre e Goiânia.

No acumulado de doze meses, o crescimento do segmento comercial é constante desde setembro de 2017, chegando a 118,462 unidades vendidas em um ano. Este indicador supera a quantidade de unidades lançadas há mais de dois anos, sendo que até o fechamento de setembro foram inseridas 102.552 novas unidades no mercado.

Oferta disponível

A oferta disponível passou de 137.522 unidades, em setembro de 2017, para 118.590 na última apuração, representando uma redução de 13,8%. Os estoques caíram nas regiões Nordeste (-20,2%), Centro-Oeste (-22,4%), Sudeste (-13,3%) e Sul (-4,5%), e cresceram no Norte (17,5%). Do total de ofertas, 47% estão em construção, 30% estão prontas e 23% estão sendo vendidas na planta. Praticamente 56% das vendas do terceiro trimestre ocorreram no Sudeste e 19% no Nordeste.

Oferta final de residenciais novos - Sul e Sudeste

Índice de Confiança

O índice de confiança do empresário da construção está em campo positivo (acima de 50 pontos). De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, o indicador subiu 1,6 ponto em dezembro, chegando a 62,3 pontos. Este patamar está 9,3 pontos acima da média histórica, demonstrando otimismo por parte dos tomadores de decisão do setor. O avanço ocorreu em função da avaliação das condições correntes de negócio e das expectativas para os próximos meses. A intenção de investimento em máquinas e equipamentos, pesquisa e desenvolvimento e inovação também está em viés de alta, antecipando possíveis movimentações quanto a aportes em capital fixo e lançamentos de novos produtos.

Utilização da capacidade

A utilização da capacidade ociosa atingiu 56% na última divulgação, com queda de 3 pontos percentuais na base anual. A retração é reflexo do nível de atividade das empresas do setor, mais precisamente em serviços especializados para construção e nas companhias de grande porte. O principal destaque negativo continua sendo o fraco desempenho em obras de infraestrutura.

Índice de evolução no nível de atividade 

Os indicadores de nível de atividade e número de empregados recuaram em novembro, na comparação com o mês imediatamente anterior. Este movimento demostra continuidade na tendência de queda no curto prazo, pois os índices permanecem abaixo de 50 pontos (divisória que indica aumento de atividade). Em contrapartida, é possível observar evolução na comparação com o final de 2015, quando o setor demonstrou o desempenho mais fraco dos últimos anos.

Um dos eixos para reaquecer o mercado de construção é o financiamento. Na tentativa de ampliar a oferta de crédito, a Caixa Econômica Federal anunciou mais uma redução nas taxas de juros do crédito para aquisição de imóveis enquadrados no Sistema Financeiro Imobiliário (imóveis entre R$ 800 mil e R$ 1,5 milhão). As taxas mínimas passaram de 9,5% ao ano para 8,75%. O banco também aumentou o limite da cota de financiamento de imóveis de 70% para 80% (segunda elevação do ano).

No Minha Casa Minha Vida, foram lançadas 9.979 unidades no terceiro trimestre de 2018, sendo a grande maioria na região Sudeste (56,9%). Foram vendidas 11.649 unidades do programa, fazendo a oferta final chegar 31.940 unidades. Considerando a proporção sobre o total, o MCMV correspondeu a 46,5% dos lançamentos, 44,5% das vendas e 26,6% da oferta final.

Números do Minha Casa Minha Vida - 3T18

Empresas do setor

As empresas do setor entraram na recessão econômica muito endividadas. Isso aconteceu porque no período de forte expansão captaram muitos recursos para impulsionar os negócios. Com alta alavancagem financeira e retração no consumo, o nível das operações passou a ficar abaixo da média dos últimos anos, com crescimento de estoques e queda nas vendas. Assim, o fluxo passou a ser insuficiente para cobrir o custo da dívida e diversas companhias entraram em dificuldade financeira.

O lucro consolidado de doze meses das principais participantes do mercado começou a minguar durante o exercício de 2014 e, a partir de 2016, reverteu para prejuízo. Mesmo com este cenário negativo, algumas empresas mantiveram sua estrutura de capital mais conservadora, com baixa proporção de capital de terceiros sobre o capital social. Obviamente a situação econômica afetou muito as incorporadoras e construtoras de padrão mais elevado, enquanto outras voltadas para a baixa renda foram menos impactadas.

Tenda (TEND3) e EZTEC (EZTC3)

Dentro de nossas recomendações está incluída a ação ordinária da Tenda S.A. (TEND3). Esse foi um exemplo de empresa que apresentou resiliência em meio a problemas estruturais no setor de construção civil. Analisando os indicadores financeiros da companhia é possível identificar uma série de pontos positivos.  Dentre eles, podemos destacar a situação de caixa líquido de R$ 306,2 milhões, uma vez que as disponibilidades superam o endividamento neste montante. Outro ponto importante é a evolução constante do lucro, que possibilitou zerar o prejuízo acumulado em exercícios passados.

Comparando com outra empresa com ótima situação financeira, mas com algumas atividades distintas, podemos demonstrar a nossa preferência pela Tenda. A Eztec é uma companhia que também possui situação financeira confortável, inclusive com caixa líquido superior à nossa recomendação e com proporção de dívida sobre patrimônio líquido mais conservadora.

Obviamente nossa escolha vai muito além de dados obtidos em balanços trimestrais, com análise de perspectivas de negócios em conjunto com indicadores de mercado e financeiros. Mas o que chama mais atenção é a diferença no crescimento dos lucros, pois no caso da Tenda a evolução é gradual e constante, enquanto a Eztec apresenta variação negativa após leve recuperação. A expectativa é que a rentabilidade patrimonial da primeira supere a da segunda no médio prazo, embora previsões neste sentido sejam imprecisas.

Lucro por ação (Tenda x EZTEC)

Gostaríamos de acrescentar que empresas de qualidade não oferecem garantias de ganhos de capital com investimento em suas ações. A análise da qualidade dos ativos serve apenas para selecionar as melhores opções dentro dos papéis negociados em mercado secundário, faltando ainda observar a diferença entre o preço praticado em bolsa e o valor intrínseco da ação.

É necessário que o montante a ser pago apresente uma margem de segurança considerável em relação ao valor justo. No caso da Tenda, observamos um bom espaço para aplicação, ainda ressaltando que o índice P/L de 8,04 e o P/VPA de 1,12 estão bem reduzidos e não estão justificados por nenhum risco relacionado ao negócio ou falta de oportunidade de crescimento.

Fontes: CBIC, Senai Nacional, Quantum Axis e IBGE

VÍDEO - MRV (MRVE3) x Tenda (TEND3) - Conheça a nossa preferida.

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Analistas Responsáveis

Danillo Sinigaglia Xavier Fratta, CNPI-T EM-1795

Daniel Karpouzas Barcellos, CNPI EM-1855

 

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Fontes das Informações: Valor. InfoMoney. Quantum. Estadão. Broadcast. Folha. Exame. B3. MoneyTimes.

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