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Como aproveitar a onda de privatizações

O artigo Como aproveitar a onda de privatizações foi publicado, originalmente, em 17 de novembro de 2017 e trouxe a visão da Capitalizo a respeito de uma possível onda de privatizações no Brasil.

Além disso, comentamos a respeito do case das ações do Banco do Brasil. Fizemos isso porque, pouco meses antes, em agosto/17, recomendamos a compra de longo prazo nas ações BBAS3. A recomendação, que poderia ser impulsionada por essa possível onda de privatizações, de lá para cá já rendeu mais de 50%. E, apesar de não recomendarmos novas compras, mantemos a recomendação de manutenção em carteira, acreditando na continuidade do movimento de alta nos próximos meses/anos.

Apesar do texto ainda trazer alguns dados no ano passado, vale a leitura.

Como aproveitar a onda de privatizações

Será que necessidade de colocar dinheiro ''em caixa'', fará com que os governos vendam empresas estatais? Entendemos que sim, e nesse artigo falaremos como aproveitar a onda de privatizações .

O ano era 1994, o primeiro do Plano Real. O país vinha de anos de alta inflação e baixo crescimento. Me lembro dessa época como se fosse hoje: os preços subiam diariamente, as pessoas recebiam seus salários e iam correndo para o banco ou para o supermercado. Na nossa casa, assim como na de vários brasileiros um estoque com comida, produtos de limpeza e higiene para o mês. E a promessa era de que tudo aquilo havia ficado para trás.

As pessoas e as empresas, enxergaram naquele momento uma nova esperança, mas os prejuízos passados, ainda estavam lá. A economia, porém, estava em “frangalhos”. A dificuldade em passar reformas era enorme e aumentar impostos parecia uma “missão” suicida.

Nesse cenário, com o Estado quebrado, só restava uma solução: privatizar. E assim foi feito.

Além de casos de privatizações como CSN, Vale, ALL (atual Rumo Logística) e das empresas de telefonia (alguém se lembra o “parto” que era conseguir uma linha de telefone?), tivemos o caso, emblemático, da Embraer.

Fundada em 1969, em meio ao Regime Militar, a Embraer se tornou um ícone brasileiro do setor. Durante muito tempo foi a queridinha do governo.  Na década de setenta, por exemplo, 80% dos gastos do governo eram em apoio à Embraer.

Já no início doa anos 90, a situação não estava nada boa. Desde a década de 80 a Embraer enfrentava problemas com as contas. Isso aconteceu devido a dois programas que deram muito errado: os programas AMX e Vector. Ambos foram programas que custaram muito à empresa e não deram retorno. Além disso, após a saída do então presidente da companhia Ozires Silva, em 1986, a empresa também entrou em crise em sua gestão e modelo organizacional.

O resultado não podia ser outro: em 1994, sua dívida chegava a 2 bilhões de dólares. Com isso, não conseguia manter o pagamento à fornecedores em dia. Resumo da ''ópera'': a empresa foi privatizada.

A Embraer hoje

Passados, mais de 23 anos, a situação da empresa (graças a privatização), é totalmente diferente. Mesmo em um mercado com fortes concorrentes, a empresa é a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo (com mais de 8.000 aeronaves entregues) e emprega mais de 18.000 funcionários.

O prejuízo do passado , virou um lucro de R$1,34 bilhões (considerando os últimos 12 meses). Já as ações da empresa subiram, de julho de 1994 até novembro de 2017, incríveis 50.000%. Uma valorização que transformaria R$10 mil reais em mais de R$5 milhões de reais.

Com a possibilidade de novas privatizações, fica impossível de não nos lembrarmos desses casos e também da possibilidade de altos ganhos que esses momentos podem proporcionar. O caso de Embraer foi “único”, claro, assim como foram o de CSN, Vale ou ALL, já citadas.

Só para se ter uma noção do que estou falando, no dia 22 de agosto, a notícia de uma possível privatização da Eletrobras fez com que as ações ordinárias da empresa (ELET3), subissem 49,30%. Isso mesmo, mais de 49% em um único pregão. Além disso, a notícia contagiou praticamente todas as ações da bolsa. As ações do Banco do Brasil (BBAS3), por exemplo, subiram mais de 4%.

Já no dia 03 de outubro, o Ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, afirmou que a privatização da Petrobras “é um caminho, mas não dá para tocar todas as agendas (ao mesmo tempo)”.

De agosto para cá se falou ainda de novas privatizações em aeroportos e até nos Correios.

Afinal, estamos vivendo uma nova onda de privatizações?

Assim como vivemos em 1994, o momento atual é de “juntar os cacos”, mesmo com a economia em leve recuperação, 9 em cada 10 brasileiros ainda estão muitos céticos quanto a qualquer tipo de melhora de médio ou longo prazo. Quais seriam as opções do Estado (e quando falamos em Estado, falamos em governos municipais, estaduais e federais), quebrado e precisando urgente de dinheiro, como em 1994?

1 - Aumentar Impostos

Assim como aconteceu em 1994, não nos parece que aumentar impostos agora seja possível. Além da pressão popular, nossa carga tributária já está no “teto”. Aumentar impostos afastaria ainda mais os investimentos, tão necessários para a volta do crescimento da economia.

2 – Seguir com a agenda de reformas

Entendemos que as reformas (como a da previdência) são de suma importância para, pelo menos, ajustar os problemas de déficit no médio e longo prazos. Entendemos que reformas passarão, só não podemos precisar o tamanho desses ajustes. E nem exatamente quando. Além disso, pensando como os políticos (que concorrerão em 2018), aprovar reformas, mesmo que necessárias, só não seria mais impopular do que aumentar impostos nesse momento.

3 – Privatizar

Assim como em 1994, a forma mais coerente para colocar dinheiro ''novo'' nos cofres públicos é privatizar. Explico:

- das alternativas acima é a “menos impopular”. Muita gente pode “berrar” contra, mas no dia-a-dia, a maioria da população vai perceber que privatizar é bom;

- tanto nas esferas municipais, estaduais, quanto federais, existem uma serie de bons ativos que podem atrair interessados: privatizações como a do Autódromo de Interlagos, do Banrisul ou dos Correios, seriam alguns exemplos;

- e finalmente, facilidade de aprovação. Uma reforma, como a da previdência exige, pelo menos a aprovação por parte de 308 deputados. Já no caso de uma privatização (como por exemplo da Eletrobrás), por se tratar de um PL, a aprovação só depende de maioria simples. Ou seja, da maioria dos presentes no plenário da Câmara, no momento da votação. Lembrando que, para que a sessão seja aberta, é necessária a presença de maioria absoluta (257 deputados) dos integrantes da Casa.

Ainda é cedo para se falar em uma “nova onda de privatizações”, porém, para ajustarmos as contas teremos que passar, necessariamente, por reformas e privatizações. O dinheiro acabou, a fonte secou e não temos ''para onde correr''.

Dessa forma, privatizações ocorrerão, e o ambiente que elas gerarão poderá ser tão positivo, que poderemos ver altas, como a citada em Eletrobras, se repetindo. Lembrando que, além da Eletrobras, cuja proposta de privatização pode ser aprovada no Senado em fevereiro ou março de 2018, já temos confirmada (só que ainda sem data), a venda da BR Distribuidora (braço de distribuição de combustíveis da Petrobras).

Isso posto, que ações podem se beneficiar com esse cenário?

Como vimos em agosto, praticamente, todas as empresas podem se beneficiar de cenário. Obviamente, empresas que ainda tem o Estado como controladores, tais como, Sanepar, Sabesp, Banrisul, Banco do Brasil, Cemig entre outras, podem subir ainda mais.

Em relação a Eletrobras, ainda não atualizamos o valuation da empresa. Além disso, não é o tipo de empresa que entra no nosso radar de médio e longo prazo. No curto prazo, porém, tanto ELET3, quanto ELET6 fazem parte permanente dos ativos acompanhados.

Quanto a nossa recomendação para tentarmos aproveitar esse momento/movimento, a nossa ação preferida é do Banco do Brasil (BBAS3). Sei que pode parecer um pouco “batido”, pois é um ativo conhecido por quase todos os investidores. Porém, entendemos que o mercado despreza todo o potencial do Banco. Ainda mais quando comparamos com outros playres que atuam no mesmo setor. Tais como, como Bradesco ou Itaú.

Assim como no caso no caso de Petrobras, não acreditamos que o BB será privatizado. Porém, uma onda de privatizações, poderia levar as ações BBAS3 para outro patamar de preços, o que justifica (e muito) a nossa recomendação.

O Banco do Brasil

O Banco do Brasil é uma instituição financeira na forma de sociedade de economia mista com participação de mais de 50% da união em seu capital votante. Possui mais de 5500 agências espalhadas pelo brasil com presença na grande maioria dos municípios.

O Banco obteve crescimento de 11,8% no lucro líquido ajustado, considerando os primeiros nove meses de 2017, em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a R$ 7,9 bilhões. Esse resultado foi impulsionado pela redução em provisões com créditos duvidosos e pelo aumento nas rendas de tarifas, principalmente com a parte relacionada a administração de fundos.

Os recursos administrados passaram de R$ 668,1 bilhões em junho de 2016 para R$ 816,4 bilhões em junho de 2017. As perspectivas são boas para o segundo semestre com a redução da inadimplência e a retomada da economia.

Comparando alguns múltiplos como P/L (que mede o retorno em anos de um investimento) ou P/VPA (que mede a relação preço da ação com o valor patrimonial por ação) com Bancos como Itaú e Bradesco, já podemos ter uma pequena ideia de desconto que BB tem em relação a esses bancos:

Preço/Lucro (P/L) comparativo

P/L Bradesco: 13,61 anos

P/L Itaú: 12,49 anos

P/L Banco do Brasil: 1,07

Preço / Valor Patrimonial por Ação (P/VPA) comparativo

P/VPA Bradesco: 1,78 x

P/VPA Itaú: 2,17 x

P/VPA Banco do Brasil: 1,07 x.

Lembrando que em ambos os casos (PL e PVPA), quanto menores os índices, melhor.

Quanto ao Retorno Sobre o Patrimônio (ROE), o BB, também possui uma “defasagem”, em relação aos concorrentes:

ROE Bradesco: 15,05%

ROE Itaú: 16,90%

ROE BB: 11,13%

Se olharmos mais a fundo continuamos enxergando em Banco do Brasil uma oportunidade ímpar de crescimento, uma verdadeira barganha e uma ótima oportunidade de investimento para médio e longo prazo, além de ser um dos principais beneficiados por esse movimento de novas privatizações.

Quanto ao preço alvo das ações, entendemos que R$45,5 seria um preço justo para BBAS3. Considerando o preço atual (16/11), temos um potencial de ganho de 42,19% para 12 meses. Lembrando que esse preço alvo deve ser ajustado para cima, levando em conta os próximos resultados.

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Danillo Sinigaglia Xavier Fratta, CNPI-T EM-1795

Daniel Karpouzas Barcellos, CNPI EM-1855

 

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Fontes das Informações: Valor. InfoMoney. Quantum. Estadão. Broadcast. Folha. Exame. B3. MoneyTimes.

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