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IRB Brasil (IRBR3) - Análise e Recomendação

Apesar de um empresa antiga (fundada em 1939) e consolidada, IRB Brasil (IRBR3) é uma novata na B3. Somente no dia 21/07/17 ela passou a ser listada na Bolsa Brasileira.

Assim como acontece na maioria dos IPOs (nome que se dá a oferta de ações em bolsa), é comum ficarmos com uma ''pulga atrás da orelha antes de investir''. O motivo dessa desconfiança é que, em alguns IPOs, o preço da ação, no momento da abertura, pode ser considerado ''caro''.

Mesmo que não tenhamos recomendado compra das ações IRBR3 na oferta pública, nossa recomendação foi dada pouco mais de 4 meses após a listagem em Bolsa. Dessa forma, fugimos um pouco do perfil de recomendação mais ''conservador'', que seria observar o comportamento da empresa durante algum tempo, para um perfil um pouco mais ''moderado''. Podemos dizer ''moderado'', pois, conhecendo a companhia, é evidente que IRB Brasil não seria uma aposta, mas sim um belo investimento.

Nossa recomendação foi dada em 10/11/17, a R$45,7 e, de lá par cá, as ações já acumulam alta de 108,7%. Apesar de não recomendarmos mais entradas (pois IRBR3 ultrapassou o nosso preço teto), continuamos recomendando a manutenção em carteira do ativo.

Abaixo, segue análise enviada aos nossos clientes no final de agosto desse ano. Nessa análise, deixamos clara a qualidade da empresa, seu potencial de crescimento e de pagamento de dividendos . Boa leitura.

Breve histórico

Em 1939, foi criado o Instituto de Resseguros do Brasil pelo governo Getúlio Vargas. A intenção de concentrar o resseguro do país. Manteve o monopólio da área durante anos e contou com garantias do Tesouro Nacional para tocar suas operações. Antes de sua fundação, os riscos de empresas nacionais eram transferidos para o exterior. Manteve o poder de regular o mercado de resseguro desde 1960 até o ano de 2000. Nesse ano, repassou essa função para a Susep, tendo em 1996 se tornado uma sociedade de economia mista.

Apenas em julho de 2007 a empresa perdeu o monopólio do setor. Isso ocorreu através de resolução onde regulamentada a regra de transição do mercado fechado para o aberto. A partir deste momento diversas seguradoras começaram a desembarcar no país, além de ocorrer o surgimento de concorrentes nacionais. Desta forma, a concorrência acarretou maior nível de emprego na área e melhores produtos ofertados pelas companhias atuantes.

O IRB Brasil é uma empresa privada, tendo realizado sua abertura de capital com o lançamento de ações no Novo Mercado da B3 em 2017. Atua nos segmentos de vida e previdência, property (propriedades industriais, comerciais, empresariais e residenciais), rural, aeronáutico, transportes, linhas financeiras, entre outros.

Atualmente, possui escritórios distribuídos entre Rio de Janeiro, São Paulo, Buenos Aires, Nova Iorque e Londres (pontos amarelos no mapa). Tem como principais acionistas o Bradesco Seguros, o BB Seguros Participações, o Itaú Seguros e a União Federal. É considerada uma das dez maiores resseguradoras do mundo em valor de mercado.

Segue abaixo as regiões onde estão localizados os seus negócios:

Atuação global

A área de resseguros corresponde a proteção de seguradoras, que repassam parte de sua responsabilidade para organizações daquele setor, compartilhando o risco e o prêmio de seus ativos. Existem muitas vantagens nessa pulverização. Isso porque possibilita o aumento de absorção, a manutenção da saúde financeira das seguradoras e a proteção para catástrofes. Além claro, do compartilhamento de conhecimento.

O resseguro é um contrato em que o ressegurador assume o compromisso de indenizar a seguradora por prejuízos que possam vir a ocorrer em suas carteiras de apólices de seguros. Ou seja, o ''seguro do seguro''.

Destaques Financeiros

O IRB Brasil registrou avanço de 27,8% no volume total de prêmios emitidos no segundo trimestre de 2018, comparando com mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 1,934 bilhão. Deste valor, R$ 1,213 bilhão correspondem a prêmios emitidos no Brasil (63%) e R$ 721,3 milhões no exterior (37%). No mercado interno, o market share passou de 44%, em 2017, para 46%, de acordo com dados divulgados pela Susep.

Os prêmios emitidos no Brasil aumentaram 15,2% na apuração. Isso ocorreu em função da maior participação no mercado. A tendência é que essa evolução permaneça constante para os próximos períodos, pois o acrual de prêmio emitido é rateado em doze meses. Assim, os contratos efetivados e a ampliação de participação em contratos que já integravam o portfólio deverão impulsionar os resultados no curto e médio prazo.

Distribuição dos prêmios emitidos (R$ milhões)

Quanto aos prêmios emitidos no exterior, houve incremento de 56,8% na comparação com o segundo trimestre de 2017. Este movimento positivo ocorreu devido à estratégia de expansão internacional adotada pela companhia, com atenção voltada para América Latina. Ou seja, em regiões com baixa probabilidade de desastres naturais.

Dentro da variação, 44,7 pontos percentuais correspondem ao crescimento orgânico em dólar e 12,1 pontos percentuais decorrem de variação cambial. No mercado externo, destaque para os segmentos de vida, com 40,7% de representatividade nos prêmios, patrimonial, com 24%, e rural, com 17%.

Índice de retrocessão

O índice de retrocessão (cessão de parte das responsabilidades a outros) foi de 26,7%, abaixo dos 31,8% observados no segundo trimestre do ano anterior. O custo de retrocessão passou de R$ 481,1 milhões para R$ 516,6 milhões na mesma base de comparação. Avançando assim, 7,4%. Já a emissão de prêmios com proteção dos contratos de retrocessão saltou 27,8%.

A redução no índice de retrocessão é fruto do histórico de sinistralidade, que tem permitido melhores condições de preço. Outro motivo é o custo de retrocessão denominado em dólar. Esse possui uma operação de proteção contra variação cambial. O hedge com limite em R$ 3,36 por dólar fez o custo variar menos em reais do que o prêmio emitido no exterior. Importante ressaltar que a IRB Brasil conta com grandes instituições financeiras como acionistas, contribuindo para a credibilidade da empresa no mercado e melhores condições de negociação.

A mesma variação observada na apropriação por competência em prêmios emitidos, que ocorre com a mudança de risco facultativo para contrato, acontece no pagamento de retrocessão. Assim, esses fatores influenciaram na manutenção da política de retenção de riscos. Juntando o crescimento no volume de prêmios emitidos e a redução no índice de retrocessão, o prêmio retido totalizou R$ 1,418 bilhão. Ou seja, um incremento de 37,4%.

Provisão Técnica

A variação da provisão técnica, que corresponde à constituição de reserva que acompanha o crescimento de prêmio retido, chegou a R$ 240 milhões no período de apuração. Sendo que, no mesmo período de 2017 o valor foi de R$ 148 milhões. Importante ressaltar que esta variação é fruto de um movimento de prudência da companhia, evitando levar para o prêmio ganho valores de forma antecipada. Ou seja, ocorreu um registro conservador nos resultados, podendo ser incluído em apuração de lucros futuros.

O prêmio ganho totalizou R$ 1,178 bilhão, com evolução de 33,3% em relação ao segundo trimestre do ano anterior. Como pode ser observado no gráfico, a reversão média das provisões técnicas variou entre 60% e 80% no final de cada ano.

Sinistralidade

O índice de sinistralidade, que corresponde ao quociente entre sinistro retido e prêmio ganho, ficou em 56,6%, contra 61,3% na mesma base de comparação, com melhora de 4,7 pontos percentuais. A sinistralidade, que leva em consideração a quantidade de perdas cobertas e prêmio cobrado, caiu de 61,3% para 56,6%. Isso ocorreu em função das melhorias em ferramentas de subscrição e precificação e ao aumento de automação no compartilhamento de informações com os clientes.

Provisão de sinistros a liquidar

A provisão de sinistros a liquidar, que significa sinistros já ocorridos e avisados, mas ainda não indenizados, correspondeu a 53,3% do prêmio ganho, com redução de 11 pontos percentuais. Esta melhora é explicada pelo crescimento menos que proporcional da constituição líquida do PSL (+10,6%) em relação ao prêmio ganho (+33,3%).  O IBNR é atribuído a sinistros ocorridos e não avisados. Esta provisão passou de uma reversão líquida (valor positivo) de R$ 34,4 milhões para uma constituição líquida (valor negativo) de R$ 44,1 milhões em função de novos contratos que a companhia ganhou.

Resultado de subscrição

O resultado de subscrição passou de R$ 166,7 milhões, no segundo trimestre de 2017, para R$ 296,3 milhões na última apuração, apresentando evolução de 77,7%%. Este resultado foi possível com a nova política de preços, o desenvolvimento de processos de underwriting e treinamentos para seguradoras parceiras, auxiliando na mitigação de riscos.

A redução no índice de sinistralidade, em conjunto com o aumento do prêmio emitido, contribuiu para o desempenho superior.

Resultado financeiro

O resultado financeiro chegou a R$ 176,6 milhões, frente a 218,4 milhões de abril a junho de 2017. Este movimento é explicado pela queda da Selic média, que passou de 10,92% para 6,39% no segundo trimestre de 2018, uma retração de 41,5%.

Importante ressaltar que em relação ao CDI, a gestão de ativos financeiros obteve ganho de 3 pontos percentuais, com uma performance de 139% do benchmark.

O fundo de investimento de renda fixa IRB Brasil RE Absoluto Títulos Públicos atingiu um volume de ativos no montante de R$ 2,7 bilhões, correspondendo a 44% da carteira total de ativos financeiros da companhia.

A carteira própria conta com R$ 3,4 bilhões, com grande exposição em títulos públicos indexados à Selic (LFT) e ativos atrelados ao dólar. Em relação à moeda norte americana, o montante aplicado gira em torno de R$ 964,6 milhões, dos quais 16% estão voltados para proteção da posição passiva operacional da empresa e não apresentam contribuição para o resultado. Os outros 84% de exposição cambial correspondem à posição comprada na moeda, que gerou um ganho de 16% no trimestre. Excluindo a carteira de imóveis, o saldo médio diário de investimentos é de R$ 5,4 bilhões.

O resultado patrimonial com imóveis de renda saltou de R$ 14,5 milhões para R$ 32 milhões. Isso ocorreu devido ao crescimento do aluguel em shoppings e a redução de taxas de inadimplência dos lojistas, despesas com manutenção e vacância em lajes comerciais, além do aluguel de terreno que estava vago e hoje está sendo usado por uma empresa de estacionamentos.

Despesas administrativas

As despesas administrativas subiram 14,5% na base anual, totalizando R$ 64 milhões. A relação dos gastos com o prêmio ganho caiu 0,9 ponto percentual, passando de 6,3% para 5,4% com renegociações em contratos na área de tecnologia da informação e reestruturação do quadro de funcionários. Vale ressaltar que as despesas administrativas e o índice sobre o prêmio ganho vêm caindo desde 2016,. Isso quando comparado ao primeiro semestre de cada ano.

Lucro líquido

O lucro líquido superou em 24% o apresentado no segundo trimestre de 2017, chegando a R$ 287,3 milhões. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) subiu 3 pontos percentuais, passando de 30% para 33%.

Ativo consolidado

Desde o final de 2017, o ativo total consolidado passou de R$ 14,343 bilhões para R$ 15,113 bilhões. Destaque para a variação positiva de 29% em créditos de operações com resseguros e retrocessões.

Guidance

O guidance da IRB Brasil apresentado no início de 2018 prevê um crescimento do prêmio emitido em relação ao ano anterior na faixa entre 9% e 16%, um índice combinado ampliado entre 70% e 76% (no segundo trimestre este indicador ficou em 71,2%) e um índice de despesas administrativas na faixa de 5,4% a 6,4%.

Indicadores e perspectivas

No período de crise observado nos últimos anos, foi possível identificar uma desaceleração no mercado segurador a partir de 2016, mas muito focado em áreas específicas como capitalização e saúde suplementar. Na cobertura de pessoas, os planos de acumulação continuam sendo o maior destaque, com grande representação da família VGBL, que manteve o crescimento na arrecadação mesmo em períodos difíceis. Outros segmentos também cresceram nos últimos anos, tais como rural e seguro coletivo, que não apresentaram retração na recessão econômica de acordo com a Susep.

Na década de noventa, a receita anual com prêmios de seguros, contribuições previdenciárias e títulos de capitalização correspondia a 1,2% do PIB nacional. No fechamento de 2017, este indicador passou a 3,7%, com arrecadação total de R$ 247,2 bilhões (excluindo saúde suplementar). Considerando apenas cobertura de pessoas, a receita chega a 2,3% do PIB, bem abaixo de países desenvolvidos como Estados Unidos e Japão. Considerando a possibilidade de mudança cultural e o desenvolvimento econômico projetado para os próximos anos, podemos identificar um grande espaço para crescimento do segmento no Brasil, principalmente com o aumento de consumo de bens duráveis e maior penetração de cobertura de pessoas.

Perspectivas

O IRB Brasil RE continua com seu projeto de expansão internacional, balanceando sua exposição ao mercado local e diversificando suas atividades. Além disso, vem apresentando grande eficiência operacional, reduzindo custos considerados estratégicos ao mesmo tempo em que diminui sua exposição a risco. Com uma política de subscrição disciplinada, mantém o índice combinado em evolução, com crescimento no prêmio emitido, ganho de market share e redução da sinistralidade. A gestão eficiente das atividades levou a empresa a elevar seus indicadores, absorvendo gastos administrativos e aumentando resultados de underwriting.

A companhia deve continuar apresentando boa oportunidade de investimento, com perspectiva de bons rendimentos com proventos. O ponto negativo fica por conta da queda da taxa Selic, uma vez que a carteira de investimento contém montante elevado aplicado e está muito concentrada em renda fixa, com forte correlação com juros pós fixados.

Múltiplos

EV/EBITDA P / L P / VPA Valor da Firma Valor de Mercado
- 18,42 5,28 - R$ 17.617.110.790

 O índice P/L está relativamente alto para o setor de seguros, impedindo a entrada neste momento. Importante ressaltar que a companhia continua em fase de crescimento, com ganho médio de dois pontos percentuais sobre o retorno de capital na comparação do primeiro semestre de cada ano. Mesmo com o ativo acima do preço teto, mantivemos nossa recomendação para manutenção em carteira.

Desempenho das ações na B3

As ações negociadas na B3 apresentaram valorização em 2017, com retorno acumulado de 22,09% desde o primeiro dia útil de janeiro. Em 2018, apresenta acréscimo de 79% e a tendência é de manter esse movimento. O volume médio diário de negociação gira em torno de R$ 46 milhões, demonstrando boa liquidez do ativo. A empresa apresenta potencial de crescimento em seus indicadores fundamentalistas no longo prazo e pode apresentar uma boa oportunidade de investimento se estiver abaixo do preço teto de R$ 45,70.

Recomendação

Para um cenário com a continuidade na distribuição de proventos, a gestão eficiente, a rentabilidade patrimonial acima da média e a forte geração de resultados, a expectativa é que o ativo do IRB Brasil RE mantenha seu viés de alta. Desde a inclusão na Carteira Dividendos, em 10 de novembro de 2017, a ação já apresentou retorno acumulado de 82% e potencial de mais 11% até o preço alvo (R$ 65,00).

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Analistas Responsáveis

Danillo Sinigaglia Xavier Fratta, CNPI-T EM-1795

Daniel Karpouzas Barcellos, CNPI EM-1855

 

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Fontes das Informações: Valor. InfoMoney. Quantum. Estadão. Broadcast. Folha. Exame. B3. MoneyTimes.

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