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Natura NATU3 - Comprar ou Vender

Confira nossa análise de Natura NATU3 .

Histórico da empresa

A companhia foi fundada em 28 de agosto de 1969 com o nome de Berjeaout.  Porém, poucos meses, passou a se chamar Natura devido a participação de produtos vegetais na composição dos produtos. No ano seguinte, a primeira loja foi aberta na Rua Oscar Freire, em São Paulo. Já a primeira fábrica foi inaugurada com menos de dez funcionários.

Anos 70 e 80

Em 1974, deixou de vender em lojas para focar na venda direta. Após o crescimento regional da década de oitenta, a empresa se expandiu e passou a atuar internacionalmente, com presença em países como Argentina, Chile, Colômbia, México, Estados Unidos e França.

Anos 2000

Em maio de 2004, a companhia abriu capital na Bovespa, sendo listada no segmento Novo Mercado, nível mais alto de governança.

Além de investir pesado em pesquisa e desenvolvimento, vem adquirindo empresas do seu setor de atuação, como a Emei Holdings, dona da rede de cosméticos australiana Aesop, e a The Body Shop. Tem cerca de sete mil colaboradores, e os produtos são vendidos por mais de um milhão e setecentas mil consultoras.

Destaques financeiros

Indicador 2017 2016
Ativo Total (mil) R$ 14.957.462,00 R$ 8.421.579,00
Patrimônio Líquido (mil) R$ 1.634.746,00 R$ 996.385,00
Receita Líquida (mil) R$ 9.852.708,00 R$ 7.912.664,00
Lucro Bruto (mil) R$ 6.941.631,00 R$ 5.465.705,00
EBITDA (mil) R$ 1.741.900,00 R$ 1.343.600,00
Margem EBITDA 17,68% 16,98%
Lucro Líquido (mil) R$ 670.251,00 R$ 308.235,00
ROE - Rentabilidade Patrimonial 41,00% 30,94%
Dívida Total Bruta (mil) R$ 9.331.900,00 R$ 4.390.171,00
Dívida Total Líquida (mil) R$ 5.661.464,00 R$ 2.091.242,00
Dívida Líquida/Ebitda 3,25 1,56
Dívida Curto Prazo / Dívida Total 43,69% 40,19%

Receita

A Natura apresentou receita líquida 24,5% superior na comparação entre o fechamento de 2017 e o mesmo período de 2016. Esse movimento positivo ocorreu em função da melhora nas vendas do segundo semestre no Brasil, com incremento de 2% no quarto trimestre em volume de vendas.

Além disso, podemos citar o crescimento excepcional da Aesop (+21,9%), que não apresentou impacto cambial relevante, e pela contabilização do resultado da The Body Shop a partir de setembro, primeiro mês de consolidação, contribuindo no montante de R$1,5 bilhão.

Importante ressaltar que o faturamento foi parcialmente afetado por questões político-econômicas na América Latina, mais especificamente no Peru. No Brasil, a receita cresceu 4,5% no ano, mesmo com queda no volume de vendas, que foi parcialmente compensada na segunda metade do período.

Na América Latina o aumento de receita foi de 18% em moeda constante, impulsionada pela expansão de canais e por ganhos de produtividade.

Ebtida

O Ebitda apresentou crescimento de 29,6%, totalizando R$1,7 bilhão. Importante ressaltar que deste montante R$228,6 milhões fazem parte do resultado operacional de quatro meses da The Body Shop (TBS). Interferindo assim, na base de comparação.

Margem Ebtida

A margem Ebitda demonstrou evolução de 0,7 ponto percentual. Isso ocorreu devido ao ganho de escala com o aumento das vendas no consolidado e à inclusão do resultado mencionado.

Despesas

A empresa continua com forte controle sobre despesas, mas a necessidade de investimento em marketing fez os gastos com vendas subirem 26,5%. Dessa forma, totalizando R$700 milhões somente com a TBS, e com proporção de 42,6% da receita líquida, um pouco acima dos 41,9% de 2016.

A variação positiva de R$185 milhões em outras receitas operacionais reflete ganhos com a reversão de passivos fiscais, parcialmente compensados por perdas na alienação de ativos.

Outros pontos importantes são o aumento de aportes em pesquisa e desenvolvimento, novas instalações, incentivos a executivos e amortização de intangíveis, contribuindo para o aumento de 37,7% em despesas administrativas. Totalizando R$1,5 bilhão, estes gastos consumiram 15,2% da receita líquida em 2017. Número superior aos 13,8% de 2016.

Gráfico da Evolução de Resultados (R$ milhões)

Lucro Líquido

O lucro líquido apresentou evolução de 117,5%, chegando a R$670,3 milhões. Destaque para o total de R$225,9 milhões de despesas com a aquisição da TBS e para a redução de 40,9% em despesas financeiras líquidas. Este movimento ocorreu em função de ganhos cambiais, reversão de contingências e abatimentos sobre passivos tributários concedido pelo Programa Especial de Regularização Tributária (PERT).

Geração de Caixa

A geração de caixa totalizou R$617,2 milhões em 2017. Representando um aumento de R$147,3 milhões em relação ao ano anterior. Esse número já considera o efeito da compra na consolidação dos resultados.

Neste sentido, é importante observar o aumento na necessidade de capital de giro em R$279,5 milhões e o crescimento de 17% em investimentos, que chegaram a R$357,7 milhões.

Endividamento

A companhia aumentou seu endividamento através da emissão de notas promissórias e pela sétima emissão de debêntures. O valor total foi de R$3,7 bilhões.

Excluindo os impactos temporários e não caixa da marcação a mercado de derivativos atrelados à dívida em moeda estrangeira, foi possível observar uma relação entre dívida líquida e Ebitda inferior ao apresentado no balanço. Este indicador ficou em 3,01x, abaixo do projetado para o ano, que era de 3,6x.

Proventos

Em fevereiro/18 foram pagos juros sobre capital próprio no valor total de R$78,3 milhões referentes ao período entre janeiro e novembro de 2017. O valor distribuído por ação chegou a R$0,18 (bruto).

Indicadores e perspectivas

Perspectiva no Brasil

No Brasil, os resultados do varejo ainda são afetados pela retração do consumo, mas os sinais de recuperação são visíveis. O cenário macroeconômico apresenta evolução de uma forma geral e deve favorecer o aumento da demanda por produtos de consumo discricionário. Nessa categorias estão os cosméticos e materiais de higiene pessoal.

No acumulado de doze meses, com fechamento em dezembro de 2017, o setor varejista apresentou um crescimento de 2,2% na receita nominal com vendas, sendo que o grupo onde se encontram artigos de perfumaria e cosméticos teve uma variação positiva de 9,4% no período. Os números são  do IBGE.

Perspectiva na América Latina

Na América Latina, o crescimento dos mercados deve permanecer e a Natura continuará investindo em sua estrutura de vendas. Notadamente no que se refere a estratégias de marketing para divulgação da marca. Neste contexto de expansão internacional, a aquisição da The Body Shop foi um importante passo e deve trazer muitos ganhos com sinergias e geração de caixa mais robusta para o longo prazo.Mesmo que no curto prazo, seja observado um aumento do endividamento da empresa.

Retorno Sobre o patrimônio (ROE)

Em relação à rentabilidade, o retorno ao acionista voltou a crescer, registrando um ROE superior à média do mercado. Além claro, de observarmos uma melhora considerável na geração de caixa livre. Dessa forma, o ROE chegou a 41%.

O investimento em pesquisa e desenvolvimento continua dando resultados. Além disso, a participação de novos produtos na receita bruta chegou ao quinto trimestre consecutivo de evolução. Sendo que o índice de inovação, considerando lançamentos dos últimos vinte e quatro meses, chegou a 64,6% de representação dentro do faturamento no final de 2017.

Alinhando sua força comercial, a organização estará dando um passo muito grande para aumentar seu market share. A Natura também pretende se consolidar como uma das maiores da indústria mundial de cosméticos.

Ponto negativo para o crescimento da concorrência no setor.  Outro fator negativo é a facilidade de encontrar produtos substitutos, gerando grande elasticidade do preço na demanda e pressionando as margens.

Indicadores de Mercado

EV/EBITDA P / L P / VPA Valor da Firma Valor de Mercado
11,30 20,93 8,58 R$ 19.692.773,41 R$ 14.031.309,41

O índice P/L está próximo do ideal, mas o denominador está sendo influenciado por efeitos não recorrentes e despesas com a aquisição da The Body Shop. Sendo assim, o indicador está distorcido e o valor de mercado ainda apresenta campo para evoluir, uma vez que a companhia possa apresentar sinergias operacionais ainda não precificadas pelo mercado.

Gráfico de variação da NATU3 desde 25/04/2004 x Ibovespa

As ações negociadas na bolsa apresentaram valorização em 2017, com retorno acumulado de 45,05% desde o primeiro dia útil de janeiro.

Em 2018, apresenta variação de -2,94% e a tendência é de reverter este movimento para o longo prazo. O Beta histórico do papel da Natura (NATU3), que mede a sensibilidade do ativo em relação ao Ibovespa, é de 1,03. Sendo assim, considerado um ativo com característica levemente agressiva, que acompanha o sobe e desce do mercado com maior intensidade.

Recomendação

A empresa apresenta desempenho excepcional na geração de caixa e pode apresentar oportunidade de ganhos de capital e na distribuição de proventos.

Para um cenário com o aumento na demanda dos produtos da Natura, o crescimento na geração de caixa a partir de sinergias e a estrutura eficiente de vendas, a expectativa para NATU3 é positiva. Apesar disso, é preciso frisar que os preços das ações devem continuar sofrendo a influência negativa em função da compra da TBS. Além disso, o aumento da concorrência é outro fator negativo para o curto prazo.

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Analistas Responsáveis

Danillo Sinigaglia Xavier Fratta, CNPI-T EM-1795

Daniel Karpouzas Barcellos, CNPI EM-1855

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Fontes das Informações: Valor. InfoMoney. Quantum. Estadão. Broadcast. Folha. Exame. B3. MoneyTimes.

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