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Panorama do Mercado

Segue o Panorama do Mercado de Capitais, Renda Fixa e Fundos de Investimentos.

Mercado de Capitais

Em janeiro, o montante de emissões domésticas chegou a 7,4 bilhões, 67,0% abaixo do registrado em dezembro e 22,6% abaixo do mesmo período do ano anterior. O número de operações também foi reduzido, com 29 anúncios contra 83 do mês imediatamente anterior. As emissões ficaram bem distribuídas em produtos de renda fixa, com destaque para seis operações de fundos de investimento em direitos creditórios, seis de notas promissórias e cinco de debêntures. Em fundos imobiliários foram sete. O baixo volume é reflexo do movimento de antecipação realizado tradicionalmente em dezembro, quando o volume atingiu R$ 22,3 bilhões.

As debêntures deixaram de ser protagonistas, perdendo em participação nas emissões para fundos imobiliários, que apresentaram montante de R$ 3,5 bilhões, correspondendo a 48% do total. Os papéis corporativos contribuíram com R$ 2,5 bilhões no mês e não foram realizadas operações com títulos incentivados, o que não ocorria desde fevereiro de 2017. Notas promissórias ficaram em terceiro lugar, com montante de R$ 830 milhões. Não foram realizadas ofertas de ações, tanto IPOs como follow nos.

No volume subscrito no período, é possível observar uma elevação considerável na representatividade de investidores institucionais como detentores de debêntures, variando de 53,4% para 66,9% entre janeiro de 2018 e o mesmo mês do atual exercício. A parcela está bem acima do que foi apresentado em todos os anos desde 2013. Com a queda da taxa Selic e a maior disposição ao risco, ocorreu um aumento substancial da parcela destes títulos nas carteiras de fundos de investimento. As pessoas físicas, que detinham 0,6% dos papéis corporativos emitidos em janeiro de 2018, ficaram sem representação.

Volume emitido por mês - R$ milhões

Em janeiro, o registro mais relevante de emissão de debêntures foi da TIM, do setor de telecomunicações, com volume previsto de R$ 1 bilhão. Outras operações importantes foram da BCBF Participações (R$ 900 milhões), do segmento de planos de saúde, e da Pádua Participações (R$ 500 milhões). Em notas promissórias, destaque para operações da Havan Lojas de Departamento (R$ 250 milhões) e da Celg Distribuição (R$ 210 milhões). O Prologis Brazil Logistics Ventures FII (PBLV11) anunciou oferta pública de cotas com volume total de R$ 2,3 bilhões. O GGR Covepi FII (GGRC11) divulgou prospecto definitivo da oferta de cotas da 3ª emissão, com valor estipulado de R$ 250 milhões. O Caixa Rio Bravo (CXRI11) registrou operação com volume de R$ 200 milhões, sendo outra movimentação relevante em produtos híbridos.

Observando a destinação dos recursos captados via emissão de debêntures, foi possível identificar evolução das empresas quanto à necessidade de refinanciamento de passivo. Na comparação entre janeiro de 2019 e o mesmo período do ano anterior, essa aplicação reduziu a proporção de 15,8% para 2,0% do direcionamento do capital auferido. Destaque para o crescimento de 36,4% para 44,0% na utilização de recursos para financiar capital de giro. Não houve nenhuma operação para investimento em infraestrutura e aquisição de participação societária saltou para 18,0%.

Destinação de recursos das emissões de debêntures

O aumento da utilização de papéis corporativos de dívida para financiamento segue uma tendência gerada pela redução da taxa Selic, pois ocasionou em maior procura de investidores por ativos de maior risco e rentabilidade. Outros motivos relevantes para o novo cenário são a alteração da política de crédito do BNDES e o aumento do volume de debêntures incentivadas em circulação, despertando maior interesse por aplicações isentas de imposto de renda.

Renda Fixa

Em janeiro, o IMA-Geral, que reflete o rendimento dos títulos públicos federais, subiu 1,9%, sendo o maior retorno dos últimos três meses. Os principais destaques ficaram por conta dos índices de prazos mais longos, impulsionados com o otimismo do mercado em relação a aprovação das reformas econômicas. No mercado interno, destaque para a valorização do real frente ao dólar, redução da taxa de desemprego e aumento da confiança de empresários. No campo internacional os eventos mais importantes foram a paralização do governo americano, tensão comercial entre China e Estados Unidos, manutenção da taxa de juros pelo FED e desaceleração da economia global.

O principal destaque nos índices foi, novamente, o IMA-B5+, que mede o desempenho de NTN-Bs com vencimentos acima de cinco anos. Após entregar 1,88% em dezembro, acelerou para 6,61% na última apuração. O IRF-M1+, que indica a variação de prefixados acima de um ano, após um ganho de 1,92%, fechou janeiro com 1,71%. O IMA-B5+ acumulou 17,23% em doze meses, e o IRF-M1+, 12,45%.

O IMA-S, que demonstra a variação de uma carteira teórica de LFTs, apresentou rendimento de 0,54%, um pouco acima do período anterior devido ao maior número de dias úteis. Vale ressaltar que este resultado está diretamente relacionado ao patamar da Selic, uma vez que os ativos da carteira são atrelados ao indexador. A taxa básica iniciou 2017 em 13,75%, chegando a 6,75% no início de 2018 e caindo para 6,5% em março do mesmo ano, permanecendo assim até hoje. O IMA-S entregou 6,38% nos últimos doze meses.

O IRF-M1, que demonstra o resultado de prefixados com prazo até um ano, apresentou retorno de 0,58%, contra 0,56% do período anterior. O IMA-B5, que indica o desempenho de NTN-Bs com prazos abaixo de cinco anos, passou de 1,36% para 1,54% entre dezembro e janeiro. Como pode ser observado, os índices de curto prazo apresentaram resultados abaixo das carteiras com vencimentos mais alongados, muito em função do fechamento das taxas e redução na inclinação da curva. O IRF-M1 tem 6,96%, e o IMA-B5 apresenta 10,09% em doze meses.

Desde o início de 2018, os maiores ganhos foram observados durante as eleições, mais precisamente entre o primeiro e o segundo turno (outubro). Após o pleito, em apenas dois meses (novembro e dezembro), o retorno acumulado em títulos públicos com marcação a mercado foi bem superior ao auferido entre janeiro e setembro. A redução de incertezas no quadro político foi a principal razão para estes movimentos.

Retorno acumulado em doze meses

O resultado do mês demonstra a continuidade do desempenho de títulos de longo prazo com marcação a mercado. Com a definição de uma equipe ministerial mais técnica e menos política, o otimismo do mercado aumentou. A tendência é que as perspectivas positivas permaneçam nos próximos meses, embora ainda existam incertezas quanto à aprovação da reforma da previdência. No mercado financeiro, destaque para a recuperação do saldo de crédito, principalmente no segmento pessoa física, e para a diminuição nos índices de inadimplência. No cenário externo, a normalização da política monetária em regiões mais desenvolvidas pode mudar de tendência após dados econômicos mais fracos.

Data Rentabilidade nominal do IMA
 IRF-M 1  IRF-M 1+  IRF-M  IMA-B 5  IMA-B 5+  IMA-B  IMA-C  IMA-S
fev-18 0,54% 1,32% 1,10% 0,54% 0,56% 0,55% 0,53% 0,46%
mar-18 0,66% 1,57% 1,32% 1,62% 0,38% 0,94% 1,30% 0,53%
abr-18 0,51% 0,45% 0,47% 0,42% -0,63% -0,14% 0,98% 0,51%
mai-18 0,20% -2,62% -1,85% -1,56% -4,65% -3,16% -0,47% 0,50%
jun-18 0,55% -0,15% 0,04% 0,45% -1,08% -0,32% 0,69% 0,52%
jul-18 0,66% 1,79% 1,47% 1,48% 3,15% 2,32% 2,28% 0,54%
ago-18 0,44% -1,47% -0,93% -0,26% -0,52% -0,45% 0,47% 0,57%
set-18 0,61% 1,57% 1,30% 0,89% -1,03% -0,15% 1,52% 0,47%
out-18 0,92% 4,71% 3,59% 3,10% 10,66% 7,14% 4,79% 0,55%
nov-18 0,54% 1,17% 0,99% 0,14% 1,52% 0,90% -0,09% 0,49%
dez-18 0,56% 1,92% 1,53% 1,36% 1,88% 1,65% 0,77% 0,49%
jan-19 0,58% 1,71% 1,39% 1,54% 6,61% 4,37% 1,99% 0,54%

O índice que mede o desempenho de títulos corporativos (IDA-Geral) apresentou aceleração pelo terceiro mês consecutivo, com ganho de 1,14%, frente a 0,91% do período anterior. Os sub índices desta classe indexados ao IPCA e a projetos de infraestrutura (IDA-IPCA e IDA-IPCA Infraestrutura) registraram variação positiva de 1,82% e 1,97%, respectivamente. O motivo da evolução destes títulos segue sendo a maior atratividade em relação a títulos tradicionais, principalmente em função da queda da taxa Selic. Destaque para a demanda crescente por papéis incentivados, que combinam maior rentabilidade com liquidez no segmento corporativo.

Em janeiro, os contratos DI com vencimento em janeiro de 2020 passaram de 6,56% para 6,38%, correspondendo a uma variação negativa de 2,74% no mês. O dólar caiu 5,75%, e o ouro perdeu 2,03% de valor. O IPCA medido em doze meses subiu de 3,75% para 3,78%, após uma variação positiva de 0,32% em janeiro. O aumento dos preços de alimentos foi o principal responsável pela elevação do indicador, sendo parcialmente compensado pela queda em combustíveis.

Curva de juros

Fundos de Investimentos

Em janeiro, os fundos de investimento apresentaram captação líquida positiva de R$ 10,3 bilhões, desacelerado em relação ao mês anterior. Das oito classes analisadas, cinco finalizaram o período com saldo positivo. Destaque para os produtos de renda fixa, que registraram captação de R$ 6,1 bilhões. Os multimercados absorveram R$ 4,8 bilhões e os de ações, R$ 2,4 bilhões. Compensando parcialmente estes movimentos, os fundos de previdência apresentaram resgate líquido de R$ 4,3 bilhões, o primeiro saldo negativo da classe desde junho de 2018.

O melhor desempenho observado foi do Renda Fixa Duração Livre Grau de Investimento, com entrada líquida de R$ 16,0 milhões no mês. Este é o melhor resultado desse tipo desde o início da série, em outubro de 2015. Outro destaque dentro da principal classe foi o Renda Fixa Duração Livre Crédito Livre, com captação líquida de R$ 1,4 bilhão. O grupo de renda fixa continua com variação negativa de R$ 19,7 bilhões nos últimos doze meses, muito em função do baixo patamar dos juros e da troca por investimentos mais arriscados. Mas ainda continua com o maior patrimônio do mercado, com fatia de 43,97% do total.

Multimercado Livre, Investimento no Exterior e Macro absorveram R$ 4,1 bilhões, R$ 1,5 bilhão e R$ 758,3 milhões, respectivamente, permanecendo como os três tipos com maior patrimônio líquido da classe. No acumulado de doze meses, a classe de multimercados tem entrada líquida de R$ 40,2 milhões, a maior de toda indústria. Neste período, o tipo Macro lidera, com absorção de R$ 26,7 milhões, seguido do Livre, com R$ 10,3 bilhões. Fundos multimercados têm o segundo maior patrimônio do mercado, representando 21,23% do total.

Pelo quarto mês seguido, a classe de fundos de ações registrou captação líquida positiva. Destaque para o tipo Ações Livre, com absorção de R$ 2,5 milhões, compensado a saída de recursos em outros cinco grupos de menor relevância. Nos últimos doze meses, os produtos com alta exposição em bolsa captaram R$ 28,7 bilhões, ficando atrás apenas dos multimercados. Representa 6,98% da indústria.

Nos produtos de previdência, foram registradas saídas de recursos em três tipos, fazendo a classe apresentar variação negativa no mês. O tipo Previdência Renda Fixa foi o grande responsável, com retirada líquida de R$ 5,2 bilhões. Compensando parcialmente, o Previdência Multimercado captou R$ 728,7 milhões em janeiro. A classe apresentou entrada líquida de R$ 21,8 bilhões nos últimos doze meses. O patrimônio líquido é o terceiro maior, com proporção de 17,30% do total.

Captação líquida por classe (R$ milhões)

Nos principais tipos de produtos, o melhor desempenho do mês foi do Ações Setoriais, com variação positiva de 11,6%. Outros destaques foram o Ações Indexados (10,7%), Previdência Ações (10,4%), Ações Índice Ativo (10,4%) e Ações Dividendos (10,1%). Vale ressaltar que os principais resultados foram observados em produtos com alta exposição em bolsa de valores, sendo que o desempenho medido pelo Ibovespa foi de 10,8%.

Nos multimercados, destaque para Long and Short Direcional (2,7%), Macro (2,6%), Estratégia Específica (2,3%) e Livre (2,0%). O IHFA (Índice de Hedge Funds Anbima), que mede a evolução de uma carteira hipotética de fundos da classe, registrou retorno acumulado de 2,6%.

Quase todos os tipos de renda fixa apresentaram rendimento positivo em janeiro, com exceção do Dívida Externa, que registrou perda de 2,3%. O Renda Fixa Duração Alta Soberano entregou o maior retorno na classe, com 2,9%, aproveitando a marcação de títulos com vencimentos mais longos. O Renda Fixa Indexados entregou 1,9%, o Duração Alta Grau de Investimento, 1,5% e o Duração Livre Crédito Livre rendeu 1,3%. O CDI variou 0,5%.

Melhores desempenhos em 12 meses

Fonte: Anbima

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Analistas Responsáveis

Danillo Sinigaglia Xavier Fratta, CNPI-T EM-1795

Daniel Karpouzas Barcellos, CNPI EM-1855

 

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Fontes das Informações: Valor, InfoMoney, Quantum, Estadão/Broadcast, Folha, Exame, B3, MoneyTimes.

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