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Setor automotivo

O setor automotivo produziu aproximadamente 2,945 milhões de veículos em 2019, 2,3% acima do ano anterior. Destaque para o desempenho do setor no mercado interno, uma vez que o total de licenciamentos de produtos nacionais apresentou variação positiva de 10,4%, compensando a queda de 31,9% nas exportações de veículos montados.

Considerando apenas veículos leves, a evolução na produção foi de 2,1%, sendo que automóveis de passageiros absorveram a queda em comerciais leves. O total de licenciamentos foi 9,4% superior, mas as exportações caíram 31,6% nesse segmento.

A produção de caminhões cresceu 7,5%, mas apenas as linhas de pesados registraram um bom desempenho, uma vez que semipesados, médio e leves apresentaram retração no período. O total de licenciamentos cresceu 32,6%, compensando a queda de 45,0% nas exportações.

O volume produzido só não foi maior devido à diminuição nas exportações com a crise na Argentina, que absorve grande parte do que é vendido ao mercado externo. Outro país que contribuiu negativamente foi o Chile, que enfrentou uma onda de protestos que freou o mercado. A Argentina registrou retração de 49,6% na importação de veículos de passageiros produzidos no Brasil e de 63,5% em veículos de carga. O Chile apresentou quedas em automóveis de passageiros e veículos de carga de 26,5% e 32,8% respectivamente. Em contrapartida, o México comprou mais produtos, com destaque para a evolução de 110,3% em automóveis de passageiros.

No terceiro trimestre de 2019, o PIB argentino regrediu 1,7% em relação ao mesmo período do ano anterior e cresceu 0,9% frente ao segundo trimestre. Esta foi a quinta apuração com diminuição no indicador nas últimas seis observações, mas com uma variação negativa menor que no final de 2018 e início de 2019. O país enfrenta grave crise e não existe perspectiva de recuperação para o curto e médio prazo, uma vez que o novo governo sinaliza a utilização de uma política econômica heterodoxa, com grande interferência do estado na economia.

O PIB do México ficou praticamente estável no terceiro trimestre, contrariando a expectativa de queda do mercado. Embora os dados indiquem ligeiro crescimento, vale ressaltar que a economia vem desacelerando desde o segundo trimestre de 2018, com grande chance de entregar a menor taxa de crescimento desde 2009. Em resposta, o Banco do México vem reduzindo a taxa básica de juros, sendo que em agosto de 2019 era de 8,25% a.a., fechando o ano em 7,50% a.a.

Para os próximos meses, a expectativa é que o setor automotivo mantenha o crescimento na produção, embora ainda em ritmo lento. Mesmo com o aumento das vendas de veículos produzidos no Brasil, o redirecionamento das exportações para outras regiões ainda não compensa a situação na Argentina. Além disso, dados recentes indicam desaceleração da atividade interna em relação a primeira metade do ano, principalmente no número de licenciamentos de caminhões.

Um indicador preocupante é a redução de 3,7% na quantidade de postos de trabalho nas montadoras. A Ford encerrou as operações na fábrica de São Bernardo do Campo no final de outubro, sendo uma contribuição negativa para o mercado de trabalho no setor. Outro motivo é a redução de três para dois turnos de trabalho em algumas fábricas.

Empresas do setor

Metal Leve (LEVE3)

A Metal Leve (LEVE3) registrou lucro líquido de R$ 69,2 milhões no terceiro trimestre, representando uma diminuição de 24,9% e com margem de 10,7% (-2,3 p.p.). Esse resultado é reflexo da perda na margem bruta e do impacto da queda nas exportações, sendo parcialmente compensados por ganhos na posição monetária líquida na Argentina, menores gastos operacionais e redução nas perdas por redução ao valor recuperável de contas a receber.

Iochpe Maxion (MYPK3)

A Iochpe Maxion (MYPK3) registrou lucro líquido de R$ 124,8 milhões no terceiro trimestre, representando um crescimento de 33,5%. O resultado acabou sendo influenciado por itens não recorrentes, bem como o reconhecimento de crédito fiscal. Destaque negativo para a queda na produção de veículos pesados e paralisações de clientes na América do Norte, queda na produção de veículos diversos na Europa e baixo volume de vendas na Ásia. Esses movimentos foram parcialmente compensados pelo bom desempenho no Brasil, sendo que a maior evolução foi observada em componentes estruturais.

 Tupy (TUPY3)

A Tupy (TUPY3), multinacional brasileira especializada em fundição de blocos de motor e cabeçotes, apresentou lucro líquido de R$ 66,5 milhões no terceiro trimestre, 25,0% abaixo do mesmo período do ano anterior. Destaque para o incremento de volumes em aplicações para veículos comerciais e no segmento hidráulico. Compensando esses movimentos, houve impacto de máquinas e veículos off-road, redução em exportações indiretas e aumento em despesas com energia e mão-de-obra.

Perspectivas

Mesmo observando esses fatores negativos, acreditamos que o desconto dos indicadores de mercado podem ser uma oportunidade para o longo prazo. Os preços das ações em relação ao lucro projetado e o valor patrimonial estão refletindo o risco atual do segmento a nível global, mas acreditamos na recuperação do mercado no médio prazo.

Por possuir característica cíclica, o setor automotivo deve se favorecer com o ciclo de expansão da economia nacional. Já no contexto internacional, a desaceleração da indústria de transformação tende a ser amenizada conforme incertezas geopolíticas são resolvidas.

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Danillo Sinigaglia Xavier Fratta, CNPI-T EM-1795

Daniel Karpouzas Barcellos, CNPI EM-1855

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Fontes das Informações: Valor. InfoMoney. Quantum. Estadão. Broadcast. Folha. Exame. B3. MoneyTimes.

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