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De acordo com dados da safra 2019/2020, iniciada em 1° de abril de 2019, a região Centro-Sul do país processou 578,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar até 16 de janeiro. Esse montante representa uma elevação de 2,8% em relação ao mesmo período do ciclo anterior.

Produção de açúcar

A produção de açúcar chegou a 26,4 milhões de toneladas, representando uma variação positiva de 0,5%. A pequena reação pode ser explicada pela baixa atratividade do preço do produto no mercado internacional, fazendo os produtores priorizarem o etanol. Esse, por sua vez, atingiu a marca de 32,2 bilhões de litros, correspondendo a um crescimento de 6,6% e demonstrando recuperação após atraso devido a chuvas no início do ciclo.

Vendas de etanol

As vendas de etanol totalizaram 27,100 bilhões de litros no agregado da safra, representando uma alta de 10,4%. Do total, 1,602 bilhão de litros foi destinado à exportação e 25,497 bilhões de litros serviram para consumo interno. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, a balança comercial do produto ficou superavitária em US$ 391,6 milhões em 2019. Vale ressaltar que as vendas de etanol hidratado no Brasil continuam em patamar elevado, principalmente em função da substituição da gasolina por biocombustíveis.

Preços

O preço do etanol hidratado continua mais atrativo em relação a gasolina (abaixo de 73%) na maioria das principais capitais das regiões Sudeste e Centro-Oeste do país. Na cidade de São Paulo, o biocombustível apresentou preço médio de R$ 3,13 por litro na semana entre 12 e 18 de janeiro de 2020, representando 69,7% do valor da gasolina nos postos. Outros municípios onde a relação continua favorável são Belo Horizonte (68,7%), Goiânia (70,6%) e Cuiabá (64,6%). No Rio de Janeiro (85,1%) o derivado de petróleo é mais competitivo.

O preço do etanol atingiu o maior valor dos últimos seis anos, muito em função do aumento do consumo com a elevação do preço da gasolina. O Rio Grande do Sul apresenta o maior preço entre as capitais do Brasil, chegando a R$ 4,32 por litro, seguido do Rio de Janeiro, com R$ 4,23 por litro. São Paulo tem a menor média, registrando R$ 3,07 por litro. A gasolina mais cara é a do Rio de Janeiro (R$ 5,04 por litro), e a mais barata é do Paraná (R$ 4,36 por litro).

A tendência para o curto prazo é que o preço dos combustíveis continue subindo, impulsionado pelas incertezas com o avanço do coronavírus. A Opep anunciou que vai estudar se reduz a oferta de petróleo para acompanhar o enfraquecimento da demanda na Ásia, região mais afetada pela epidemia. Antes da disseminação da doença, a atividade global vinha apresentando dados mais animadores, principalmente em alguns países da Europa. O acordo parcial entre China e Estados Unidos também foi uma notícia positiva.

A cotação do açúcar no mercado internacional demonstrou reação no final de 2019, chegando ao maior patamar dos últimos dois anos. O principal motivo foi excesso de chuvas na Tailândia, quarto maior produtor do mundo. De acordo com o fechamento de 24 de janeiro, a cotação do alimento no mercado internacional chegou a US$ 14,39 por libra peso, bem acima dos US$ 12,10 da abertura de 2019. O principal fator que pode contribuir com o incremento da oferta e a retomada de preços mais baixos é o aumento de exportações na Índia. Em contrapartida, existe expectativa de redução na produção em países como China e Tailândia, gerando um déficit em relação à demanda global.

A expectativa é que com a mudança no cenário de preços dos produtos originados a partir da moagem de cana, o mix de produção das usinas reduza a proporção de etanol gradualmente. Atualmente, a fatia média do etanol ultrapassa 60%, sendo a prioridade sobre o açúcar.

Com o efeito da queda na produção, preços mais atrativos no mercado internacional e a valorização do dólar frente ao real, o valor da saca de açúcar cristal apresentou viés de alta nos últimos dias, atingindo R$ 76,11 e representando uma variação positiva de 4,7% em relação a abertura de 2020.

Entre abril e dezembro de 2019, a exportação de açúcar caiu 11,0%, utilizando como base os embarques em milhões de toneladas. Considerando o total em dólares, a variação negativa chega a 26,8%, muito em função da desvalorização do produto no mercado internacional. Até o fechamento de 2019, foram vendidos 14,671 milhões de toneladas, correspondendo a US$ 4,268 bilhões. Um ano antes, na mesma base de comparação, o total exportado foi de 16,493 milhões de toneladas, representando US$ 5,833 bilhões.

Empresas do setor

Cosan (CSAN3)

A Cosan apresentou crescimento de 22,3% na receita líquida do terceiro trimestre de 2019, frente ao mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 18,861 bilhões (considerando 50% do resultado da Raízen). Destaque para o aumento no volume vendido de gasolina, etanol e diesel e melhor preço médio praticado em açúcar e etanol, além do efeito da revisão tarifária realizada em maio de 2019 na Comgás.

Esses movimentos foram parcialmente compensados pela queda no volume vendido de gás e açúcar. Com grande contribuição da melhora no resultado financeiro, o lucro líquido ajustado saltou de R$ 172,9 milhões para R$ 460,8 milhões.

Nos últimos 12 meses, as ações CSAN3 tiveram um desempenho positivo, subindo 102,03%, contra 21,74% do Ibovespa:

São Martinho (SMTO3)

A São Martinho apresentou elevação de 19,7% na receita líquida, atingindo R$ 770,1 milhões. Destaque positivo para o maio volume vendido de açúcar e energia elétrica e melhores preços de etanol. Esses movimentos foram parcialmente compensados menores preços de energia elétrica e açúcar e estagnação no volume de vendas de etanol. O lucro líquido cresceu 5,9%, sendo impactado pelo aumento de despesas financeiras e operacionais.

Nos últimos 12 meses, as ações SMTO3 também tiveram um desempenho positivo, subindo 57,89%, contra 21,74% do Ibovespa:

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