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Vale a pena investir em Rumo RAIL3 ?

Hoje vamos trazer uma análise, avaliando os últimos resutados e perspectivas para Rumo RAIL3.

Breve histórico

A companhia é resultante da fusão entre a América Latina Logística (ALL) e a Rumo Logística. Negócio que ocorreu em 2016. A primeira iniciou suas atividades na década de noventa, durante a privatização do sistema ferroviário brasileiro. Posteriormente, abrindo capital em 2004. A segunda foi criada em 2008 como a maior operadora logística de açúcar destinado à exportação.

A Rumo S.A. é a maior operadora de logística com base ferroviária independente da América Latina. A empresa possui quatro concessões que se estendem por mais de doze mil quilômetros. Esses números incluem centros de distribuição e instalações para armazenagem.

Oferece serviços de transporte, principalmente para commodities agrícolas e produtos industriais como combustíveis. Dentre eles, destacam-se papel e celulose e materiais de construção.

Sua rede está presente em uma área responsável por 80% do PIB nacional, onde se localizam os principais portos do país, pelos quais é exportada a maior parte dos grãos produzidos pela agricultura brasileira.

Os principais acionistas são a Cosan Logistica (controladora), o Bank of America e a Cartica Management. Suas ações estão listadas no segmento Novo Mercado da B3.

Destaques Financeiros

Receita

A Rumo registrou, no consolidado, receita líquida 37,9% superior na comparação entre o exercício de 2017 e o mesmo período de 2016. O impacto positivo veio a partir do aumento de 23% no volume transportado, totalizando 49,7 bilhões de TKU. Além disso, a companhia aproveitou a expansão da capacidade operacional após a execução de plano de investimentos.

Comparando o quarto trimestre de 2017 com o ano anterior, a variação positiva foi ainda maior, de 79%. Destaque para o forte crescimento da demanda por transporte de milho e soja em um período de safra recorde, que estendeu as exportações até dezembro.

Ebitda

A margem Ebitda foi impactada positivamente, principalmente, por causa da eficiência da empresa no controle de custos fixos, que cresceram em linha com a inflação. Alocações em renovação de frotas e expansão contribuíram para que o Ebitda se elevasse em 74,6% a partir do crescimento menos que proporcional dos custos variáveis, que foi inferior a expansão de volume, com destaque para a redução expressiva no consumo de diesel.

Volume Transportado (TKU milhões)

Custos

Os custos variáveis totalizaram R$ 1,4 bilhão em 2017, com aumento de 19,8% na comparação com o ano anterior. O crescimento no volume transportado foi o principal motivo para essa variação. Porém, o aumento de 10% no valor do combustível foi compensado por ganhos de eficiência no consumo das locomotivas.

Os custos logísticos também subiram, principalmente devido à Operação Norte, que contou com maior volume de transporte de grãos. Os custos fixos permaneceram praticamente em linha, com aumento de gastos com pessoal em 28,9% e de depreciação e amortização de 20,2%, sendo compensados pela diminuição de 28% em manutenção.

Resultado Líquido

A companhia apresentou redução de 75% no prejuízo em 2017 em comparação com o fechamento de 2016. Já na base trimestral, a variação foi ainda maior, -87%. Esse movimento, ainda impactado pelo aumento na depreciação, ocorreu pelos motivos supramencionados e pela leve queda no custo da dívida com a diminuição na taxa de juros.

Endividamento

Quanto a estrutura de capital, houve aumento no endividamento no final de 2016 devido à execução do plano de investimentos para expansão. Incluindo aqui a aquisição de locomotivas e melhoria de infraestrutura.

Porém, após o incremento nas operações, a alavancagem financeira foi reduzida.Com isso, a relação entre dívida líquida e Ebitda passou de 4,65x para 3,44x. A proporção entre capital de terceiros e patrimônio líquido passou de 252% em 2015 para 120% no último balanço divulgado. Dessa forma, reduzindo o risco do negócio com integralização de capital no montante de R$5,1 bilhões nos últimos dois anos.

Importante ressaltar que a empresa está sujeita a cláusulas contratuais que restringem o nível de alavancagem e a cobertura do custo da dívida. De acordo com o relatório da Rumo, o limite para alavancagem é de 4,3x e para o índice de cobertura de juros é de 1,4x. Com ajustes para chegar à dívida líquida abrangente, considerando arrendamento mercantil, títulos e valores mobiliários, o endividamento apresentado é ainda mais saudável e dentro do permitido, como mostra o quadro abaixo:

Estrutura de Endividamento da Companhia

Investimentos

O investimento total em 2017 foi de R$2,15 bilhões, concentrando a maior parte (70%) em expansão. Na comparação com 2016, o valor aplicado foi 11,8% superior, buscando aumentar a capacidade operacional, implementando projetos de melhorias na infraestrutura e com a aquisição de vagões HPT.

No quarto trimestre de 2017 continuou o projeto de revitalização da ferrovia na margem direita do Porto de Santos. Permitindo assim, melhor atendimento nos terminais, além das obras em estruturas para recepção de fertilizantes no terminal de Rondonópolis, no Mato Grosso.

Fluxo de Caixa

O fluxo de caixa operacional da companhia atingiu R$2,5 bilhões no fechamento do ano, com incremento de 56%. Mesmo observando aumento de 20% no fluxo de investimentos, considerando Capex, aquisição de materiais e venda de ativos, a queda na amortização de dívidas contribuiu em R$880 milhões para a geração de caixa.

Em 2016, a captação de dívida foi superada em R$600 milhões pela amortização de principal e no ano seguinte superou os pagamentos em R$349 milhões.

Indicadores e Perspectivas

Perspectivas para o Setor Agrícola

As perspectivas para 2018 são positivas. Isso porque, com a manutenção de níveis elevados na exportação de grãos, o escoamento de produtos estocados por produtores e a expectativa de volumes acima da média para a colheita de commodities agrícolas.

Em 2017, a produção de milho foi de 99,6 milhões de toneladas, crescimento de 55,2% em relação a 2016. Todavia, considerando apenas a região Centro-Oeste, a variação foi de 83%. A produção de soja foi de 115 milhões de toneladas, variação de 19,4% segundo o IBGE.

Outro ponto positivo dentro do agronegócio é a perspectiva de melhora no crédito rural, uma vez que a taxa básica de juros atingiu 6,75% ao ano e o custo do dinheiro em operações de crédito agrícola continua elevado. Além disso, a indústria, que ainda utiliza o modal rodoviário como principal meio de transporte, deverá manter o crescimento na produção consolidada, observado nos últimos meses nas divulgações do IBGE, e optar pelo modal ferroviário como alternativa para locomoção de produtos.

Perspectivas para a Empresa

Observando este cenário, a Rumo está colocando em prática seu planejamento de crescimento desde 2016. E, ao mesmo tempo, demonstra eficiência no controle de custos.

A queda da taxa básica de juros deve continuar favorecendo a companhia no médio prazo, uma vez que o custo da dívida fica mais barato e a inflação não apresenta sinais de elevação suficiente para uma política monetária mais restrita.

Ainda quanto à estrutura de capital, a companhia estreou no mercado de dívida internacional com duas emissões de bonds no valor total de US$ 1,25 bilhões. Dessa forma, diversificou sua forma de captação de recursos, buscando melhores condições de crédito.

A projeção para os próximos anos é de redução gradual nos investimentos, principalmente em expansão, e crescimento no resultado operacional de 10% ao ano até 2020, influenciando positivamente na geração de caixa.

Pontos Negativos

Os pontos negativos são a dependência de regulamentação e autorização de órgãos públicos, o alto endividamento apresentado na última divulgação e a necessidade de grande investimento financeiro.

Indicadores

P/L

O índice P/L está negativo devido a prejuízos apresentados em períodos anteriores e impossibilita qualquer análise, sendo considerado nulo.

EV/EBITDA

A relação EV/EBITDA (indicador com metodologia de cálculo mais uniforme) está acima de seus pares, mas ainda apresenta oportunidade de crescimento, principalmente a partir da análise macro.

P/VPA

O preço da ação está em 2,73 vezes o valor patrimonial, com campo para crescer de acordo com a rentabilidade da empresa.

Gráfico de variação da RAIL3

As ações negociadas na bolsa apresentaram valorização em 2017. Com isso, o retorno acumulado foi 111,24% desde o primeiro dia útil de janeiro. Em 2018, apresenta variação positiva de 3,55%.

O Beta histórico do papel da Rumo (RAIL3), que mede a sensibilidade do ativo em relação ao Ibovespa, é de 1,35. Dessa forma,  consideramos RAIL3 um ativo com característica agressiva, que acompanha o sobe e desce do mercado com maior intensidade.

A empresa apresenta potencial de crescimento em seus indicadores fundamentalistas no longo prazo. Dessa forma, pode apresentar uma boa oportunidade de investimento.

Nossa Recomendação

Para um cenário com a manutenção na produção agrícola em níveis elevados e o escoamento pelo modal ferroviário, a política monetária mais flexível e o crescimento na capacidade operacional da empresa, a expectativa é que o preço da RAIL3 chegue a R$17,50 em 12 meses.

O ativo está presente na Carteira Crescimento, com potencial de retorno de 30% de acordo com o preço atual. Recomendação de compra.

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Analistas Responsáveis

Danillo Sinigaglia Xavier Fratta, CNPI-T EM-1795

Daniel Karpouzas Barcellos, CNPI EM-1855

 

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Fontes das Informações: Valor. InfoMoney. Quantum. Estadão. Broadcast. Folha. Exame. B3. MoneyTimes. RI da empresa.

Importante: Leia o nosso Disclosure, antes de investir.

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