Dividendos sempre chamam a atenção do investidor, especialmente quando os números parecem elevados.
No entanto, nem todo dividend yield alto representa uma boa oportunidade no longo prazo.
Em muitos casos, os pagamentos refletem eventos pontuais, antecipações ou movimentos extraordinários que não se repetem.
Por isso, ao avaliar ações pagadoras de dividendos na B3, é fundamental ir além do número recente e entender a sustentabilidade desses pagamentos ao longo do tempo.
VISÃO GERAL SOBRE DIVIDENDOS NA B3
Ao observar os dividendos pagos nos últimos 12 meses, fica claro que boa parte dos yields elevados foi influenciada por antecipações, dividendos extraordinários e eventos não recorrentes, em especial diante de mudanças tributárias recentes.
Dividendos altos em um único ano não garantem bons pagamentos no futuro.
O que realmente importa é a capacidade de geração de caixa, o nível de investimentos exigidos pelo negócio e a previsibilidade dos resultados ao longo dos ciclos econômicos.
TELECOMUNICAÇÕES: PAGAMENTOS CONSISTENTES
O setor de telecomunicações se destaca por ser concentrado, intensivo em capital, mas com receitas previsíveis. Dentro desse cenário, a TIM (TIMS3) apresentou um dividend yield em torno de 7,6% nos últimos 12 meses, mantendo um histórico consistente de distribuição.
Ainda assim, a Telefônica Brasil (VIVT3) segue como o principal destaque estrutural do setor, com maior potencial de crescimento orgânico e histórico recente de payout elevado. A TIM permanece como uma alternativa sólida para quem busca renda, mas a Telefônica oferece maior previsibilidade no longo prazo.
BANCOS E HOLDINGS FINANCEIRAS
O Itaú Unibanco (ITUB3 / ITUB4) segue como referência quando o assunto é dividendos.
Ambas as classes recebem o mesmo valor distribuído, e o banco já vinha, antes da pandemia, com uma estratégia clara de aumento da remuneração aos acionistas.
O dividend yield recente, próximo de 14%, foi impactado por antecipações.
Ainda assim, ao preço atual, o Itaú continua sendo uma das melhores opções para quem busca dividendos recorrentes acima de dois dígitos no médio e longo prazo, sustentados por rentabilidade elevada e gestão consistente.
No caso da Itaúsa (ITSA3 / ITSA4), a holding se beneficia diretamente dos resultados do Itaú.
A reestruturação do endividamento abriu espaço adicional para distribuição, levando o yield recente para perto de 17%, embora parte desse número também reflita efeitos pontuais.
DIVIDENDOS ELEVADOS, MAS NÃO RECORRENTES
A Alpargatas (ALPA4) apresentou dividend yield elevado, em torno de 14,6%, principalmente por conta de redução de capital, e não por geração operacional recorrente.
Esse tipo de pagamento pode fazer sentido em determinados momentos, mas não caracteriza a empresa como uma boa pagadora estrutural de dividendos.
Situação semelhante foi observada em outras companhias que exibiram yields elevados no curto prazo, sem garantia de repetição.
EMPRESAS EM PROCESSO DE RECUPERAÇÃO
A Vivara (VIVA3) passou por eventos não recorrentes, como venda de ativos, mas conseguiu reorganizar o negócio e voltar a gerar lucro de forma consistente.
Apesar do dividend yield recente em torno de 12%, um patamar mais sustentável tende a ficar entre 6% e 8%, considerando o preço atual da ação e a necessidade de reinvestimentos para crescimento.
HOLDINGS LIGADAS A COMMODITIES
A Bradespar (BRAP4), holding com participação relevante na Vale (VALE3), historicamente ofereceu dividendos elevados e desconto em relação à mineradora.
No entanto, houve aumento significativo do risco associado a passivos contingentes, que passaram de perda possível para perda provável. Esse fator elevou o risco do investimento, apesar do bom histórico de pagamentos.
INDÚSTRIA E CICLOS FAVORÁVEIS
A Marcopolo (POMO4) não é tradicionalmente uma empresa de dividendos previsíveis, mas vive um novo momento após ajustes operacionais e melhora do ciclo do setor.
Mesmo após a forte valorização recente, é plausível esperar um dividend yield entre 6% e 8% nos próximos anos, considerando o preço atual da ação e a geração de caixa projetada.
VAREJO COM EVENTOS PONTUAIS
A Guararapes (GUAR3) apresentou dividend yield elevado, próximo de 27%, fortemente impactado pela venda de ativos imobiliários, como shopping centers.
A empresa possui um modelo verticalizado raro no varejo, com produção própria e logística integrada. Ainda assim, esse patamar de dividendos não deve se repetir, por se tratar de eventos pontuais.
ALTO YIELD SEM CRESCIMENTO
A Grendene (GRND3) chamou atenção pelo dividend yield próximo de 30%, mas o principal problema da companhia é a falta de crescimento.
A receita permanece praticamente estável há mais de uma década, e parte relevante dos dividendos veio de caixa financeiro e pagamentos extraordinários, não da evolução do negócio operacional.
Por isso, não se trata de um ativo atrativo para uma carteira de dividendos de longo prazo.
SANEAMENTO E POTENCIAL ESTRUTURAL
A Aegea, empresa ainda fechada e controlada pela Itaúsa, é a maior empresa privada de saneamento do Brasil, com participação de mercado entre 15% e 16%.
A possibilidade de um IPO segue sendo discutida pelo mercado.
Caso se concretize, exigirá análise cuidadosa de preço e estrutura. Estruturalmente, a Aegea apresenta potencial de crescimento e geração de dividendos superior a pares como Sabesp, Sanepar e Copasa.
O QUE REALMENTE DEFINE UMA BOA CARTEIRA DE DIVIDENDOS
Dividendos elevados em um único ano não devem ser analisados isoladamente.
O que define uma boa carteira de dividendos é a capacidade recorrente de geração de caixa, a previsibilidade dos resultados e a qualidade da gestão.
Empresas maduras, setores previsíveis e negócios bem posicionados tendem a oferecer retornos mais consistentes ao longo do tempo, evitando armadilhas criadas por eventos extraordinários ou distorções pontuais nos indicadores.
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