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Empresas do setor bancário

Hoje traremos uma análise das empresas do setor bancário e perspectivas para o setor.

Segmentos

De acordo com os últimos dados divulgados pelo Banco Central, o saldo das operações de crédito apresenta crescimento de 4,36% na base anual, com grande contribuição de pessoas físicas. Neste segmento, o crescimento é de 7,96% até o fechamento de novembro, compensando a pequena variação positiva de 0,23% em pessoas jurídicas. Destaque para as operações voltadas para aquisição de veículos por pessoas físicas. Esse setor  teve evolução de 13,2% em doze meses. O total de crédito imobiliário para PF subiu 5,3% na mesma base de comparação. O sistema financeiro concedeu R$ 330 bilhões em financiamentos e empréstimos no mês, correspondendo a um incremento de 1,7% sobre outubro. O repasse de recursos para famílias ficou 3,8% acima, e para clientes corporativos houve retração de 1,1%.

BNDES

Com a restrição orçamentário do governo federal, o saldo de operações de crédito com recursos do BNDES continua caindo. Com isso, tivemos uma variação negativa de 10,86% na base anual. Em contrapartida, as concessões para pessoas jurídicas mediante o desconto de duplicatas e recebíveis continuam evoluindo, fazendo o estoque crescer 33,54% desde novembro de 2017. Empréstimos para aplicação em capital de giro permanece em viés de baixa, ao contrário de recursos destinados a aquisição de bens por parte das empresas.

Recursos Livres

Em recursos livres destinados a pessoas jurídicas, o saldo das operações de crédito destinadas a investimento em capital de giro continua com a maior representação, chegando a 37,1% do total. Em seguida estão o financiamento para importações e exportações, com parcela de 14,2%, e o desconto de duplicatas e recebíveis, com 9,2%. Outro grupo importante é o adiantamento sobre contratos de câmbio, com participação de 8,7%. O saldo total do estoque de recursos livres para PJ é de R$ 778,7 bilhões.

Em recursos livres destinados a pessoas físicas, a maior participação continua com o crédito pessoal consignado, que apresenta uma fatia de 35,8% do total. Neste segmento, a grande maioria dos recursos é destinada a servidores públicos. Nessa faixa temos os aposentados e pensionistas do INSS. Outras áreas relevantes são o cartão de crédito, com 23,9%, e o financiamento para aquisição de veículos, com 17,9%. O saldo total do estoque de recursos livres direcionados para PF é de R$ 936 bilhões.

Em resumo, os destaques positivos são as operações com desconto de duplicatas, a recuperação do saldo de empréstimos e financiamentos para aquisição de bens por parte de pessoas jurídicas e a retomada do crédito pessoal. Ponto negativo para aplicações em capital de giro, operações com recursos do BNDES e financiamento imobiliário para corporações.

Evolução do saldo das operações de crédito (12 meses)

Inadimplência

A taxa média de inadimplência voltou a cair após apresentar elevação em outubro. O percentual apurado no sistema financeiro, em novembro, foi de 2,97%, contra 3,06% do período imediatamente anterior. No segmento pessoa jurídica a melhora foi de 0,1 ponto percentual, chegando a 2,54%. Em pessoa física houve um corte de 0,07 ponto percentual, atingindo 3,32%. Considerando apenas recursos livres, a inadimplência caiu de 4,08% para 3,97%.

As linhas de crédito que apresentam situações mais críticas em pessoas jurídicas são o cartão de crédito e operações de capital de giro. Neste segmento, houve deterioração do índice de inadimplência na parte de arrendamento mercantil, adiantamento sobre contratos de câmbio e financiamento a importação. Em pessoas físicas, as maiores taxas são no cheque especial e no crédito pessoal para composição de dívidas.

Taxa de inadimplência em recursos livres 

Taxa de juros e Spread

A taxa de juro média cobrada pelo sistema financeiro nas operações de crédito ficou praticamente estável na passagem de outubro para novembro. Dessa forma, permanecendo em 24,58% ao ano. Na base anual, houve queda de 2,27 pontos percentuais. A taxa cobrada em empréstimos para pessoas jurídicas é de 15,87%, enquanto para pessoas físicas fica em 30,44%. O spread médio, que considera a diferença entre a taxa de captação dos bancos e a taxa cobrada de clientes, subiu de 17,95 pontos percentuais para 18,16 pontos em novembro.

Margem menor, mas em recuperação

A diminuição na margem entre captação e aplicação de instituições financeiras é um dos motivos para a retração na margem financeira com clientes ao longo dos últimos anos. O spread bancário chegou ao ápice em outubro de 2016. Nessa época, atingiu o patamar de 23,97 pontos percentuais. Desde então, a taxa de básica de juros iniciou um ciclo de cortes, impactando diretamente na diferença. Importante observar que dentro de produtos bancários a margem financeira corresponde a maior fonte de receitas de grandes bancos, sendo também afetada pelo volume de crédito concedido.

Mesmo com a redução no retorno, o movimento vem sendo compensado pelo crescimento gradual nas operações de crédito no varejo. Além disso, a diminuição de riscos, com consequente queda nas despesas de provisão também ajuda. Este é um dos principais motivos para o crescimento da rentabilidade patrimonial de bancos, com reflexo positivo sobre o resultado líquido de intermediação financeira. No tocante à saúde do segmento, o nível de provisões está de acordo com o volume de ativos problemáticos. Assim,  reduzimos possíveis impactos na estabilidade financeira do sistema nacional.

De acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central, os indicadores de capitalização permanecem acima aos requeridos pela legislação.

Empresas do Setor

Itaú (ITUB3/ITUB4)

O Itaú Unibanco continua sendo a maior companhia do setor bancário, com valor de mercado superior a R$ 333 bilhões. Entre as três instituições mais representativas e com ações negociadas na B3, é a companhia que apresenta a maior rentabilidade patrimonial em doze meses, chegando a 16,7% na última apuração. Além disso, é o ativo mais atrativo para a distribuição de lucros, com dividend yield de 5,8% de acordo com o preço de fechamento de 4 de janeiro. Em contrapartida, a ação preferencial (ITUB4) possui os indicadores de mercado elevados, com índice P/L de 13,90. Já o seu P/VPA é de 2,56.

Analisando os dados, é possível concluir que a oportunidade de investimento está muito mais voltada para distribuição de dividendos do que para ganho de capital.

Bradesco (BBDC3)/BBDC4)

O Bradesco possui valor de mercado acima de R$ 254 bilhões. Sua rentabilidade patrimonial está um pouco abaixo do Itaú, ficando em 15,5%. Assim como seu principal concorrente privado, apresenta indicadores de mercado elevados, com P/L de 14,32. Já o seu P/VPA é de 2,20.

O dividend yield é relativamente baixo, com retorno anualizado de 2,8% sobre o preço de fechamento de 4 de janeiro. A ação preferencial do banco (BBDC4) não apresenta atrativos para investimentos devido ao fator diversificação, pois preferimos outras duas instituições financeiras, uma focada na distribuição de proventos (Itaú) e outra com valuation atrativo para ganhos em mercado secundário, o Banco do Brasil.

Banco do Brasil (BBAS3)

O BB é a nossa opção preferida para ganhos de capital. Seu ROE está em 13,8% no acumulado de doze meses e os indicadores de mercado estão abaixo de seus pares. O P/L se encontra em 11,27, o P/VPA, em 1,47.  Já o dividend yield está em 3,10%.

Acreditamos que a ação ordinária (BBAS3) está sendo negociada bem abaixo do valor justo, com boa margem de segurança para entrada, embora o preço teto para garantir um bom retorno esteja próximo do preço atual.

Outros bancos

Outros bancos, como Banrisul (BRSR6) e BTG Pactual (BPAC11), estão sendo observados, mas sem perspectivas para recomendação. No primeiro caso preferimos esperar a definição sobre o plano de recuperação fiscal do governo do Rio Grande do Sul, assim como o desmembramento de privatizações de empresas controladas pelo estado. Em relação ao BTG, observamos uma deterioração dos resultados ao longo dos últimos anos, com retração de 62% do lucro líquido consolidado entre o quarto trimestre de 2016 e a última apuração.

Quadro comparativo

Empresa Dividend Yield Retorno 12 meses P / L P / VPA Valor de Mercado (R$ mil) ROE Margem Líquida
BANRISUL 8,46% 66,56% 6,87 1,24 9.021.218,09 18,11% 13,79%
BRADESCO 2,83% 29,60% 14,32 2,20 254.855.379,36 15,47% 16,83%
BANCO DO BRASIL 3,10% 51,19% 11,27 1,47 135.933.899,33 13,81% 9,20%
BTG PACTUAL 2,51% 47,93% 28,48 1,27 24.248.218,93 4,45% 11,37%
ITAÚ UNIBANCO 5,79% 30,94% 13,90 2,56 333.091.545,76 16,65% 17,29%

Fontes: Banco Central, RI dos Bancos e Quantum Axis

Vídeo - Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) ou Banco do Brasil (BBAS3)?

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Daniel Karpouzas Barcellos, CNPI EM-1855

 

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Fontes das Informações: Valor. InfoMoney. Quantum. Estadão. Broadcast. Folha. Exame. B3. MoneyTimes.

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