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Setor Defensivo

Para quem conhece sobre o mercado financeiro, e até mesmo pra quem só ouviu falar, sabe que momentos de quedas, com medo e pânico são comuns ao longo de toda história. Já aconteceram algumas vezes e com certeza irão acontecer novamente, restando saber apenas o motivo, a intensidade e outras variáveis.

Quando tratamos mais especificamente do mercado acionário, vemos empresas que tendem a apresentar maiores e outras menores dificuldades em momentos de crise.

E dentre as empresas que tendem a sofrer os menores impactos, merecem destaque as do setor elétrico, que inclusive já detém a fama de serem mais “defensivas” e boas pagadoras de dividendos.

Setor Elétrico

O setor elétrico brasileiro caminha para apresentar um crescimento muito significativo nas próximas décadas. Segundo o estudo realizado pelo “Observatório de Mercados de Energia Mundial”, a demanda por energia no Brasil irá registrar uma alta de 60% até 2040.

Por outro lado, uma análise não muito aprofundada da atual matriz energética brasileira indica que há muito o que fazer para suprir esta demanda. O ano de 2021 ficará marcado pela pior crise hídrica dos últimos 91 anos. E quase 64% de toda nossa geração elétrica é realizada através de hidrelétricas.

Dito isso, com os maciços investimentos que deverão ser realizados nos próximos anos, o setor elétrico tenderá a ganhar ainda mais representatividade no panorama econômico brasileiro.

Falando em bolsa, por exemplo, atualmente as empresas do setor já compõe boa parcela dos principais índices acionários do Brasil. Somente no índice Bovespa, por exemplo, essas companhias representam quase 5% de participação.

Com o setor destaque, vamos conferir com mais detalhes como funcionam as atuações específicas de cada empresa. De forma geral, as companhias elétricas podem ser classificadas em três segmentos: Distribuição, transmissão e geração de energia.

Detalhamos abaixo sobre os riscos e benefícios de cada um deles, e como podemos aproveitá-los em determinados momentos econômicos, tanto para melhor se proteger, quanto para obter boas rentabilidades. Confira!

Distribuição de Energia

O segmento de distribuição está na ponta mais próxima do consumidor. É o estágio final da cadeia de produção elétrica. Por isso, dentre os três segmentos, em momento de crise este tende a ser o mais afetado.

Geralmente, um dos impactos se deve às reduções (as vezes, até mesmo paralisações) de grande parte das atividades econômicas, principalmente as industriais. Com isto, a demanda de energia elétrica sofre redução em um primeiro momento.

Também há o risco do aumento de inadimplência, que dependendo da intensidade da crise econômica instaurada poderá atingir elevados níveis, afetando a geração de caixa das companhias.

Outro ponto de destaque refere-se a grande regulamentação as quais estas empresas (do setor elétrico, em geral) estão sujeitas. Portanto, medidas impostas pelo Governo Federal podem servir como agravante aos impactos para as distribuidoras, como por exemplo a suspensão do corte de energia para os inadimplentes, descontos nas tarifas de energia e até mesmo adiamento de reajustes de compensação de custos.

Esses e outros fatores acabam por impactar diretamente nos resultados operacionais em um horizonte de curto prazo.

Como exemplos de empresas listadas deste segmento há a Neoenergia (NEOE3) e a Copel (CPLE6). Nos últimos doze meses (03/12/20 a 02/12/21), as ações de NEOE3 apresentam ligeira queda de 1,0%, enquanto CPLE6 marcou praticamente 10,5% positivos de retorno. Como comparação, o IBOV finalizou este período com uma desvalorização de 6,6%.

O desempenho destas ações e do índice ao longo do ano pode ser observado no gráfico abaixo.

 

Transmissão de Energia

O segmento de transmissão funciona como o elo entre a geração e a distribuição de energia. Toda eletricidade gerada é transmitida aos distribuidores pelas empresas do segmento de transmissão. E este é o segmento que tende a sofrer os menores efeitos em uma eventual crise.

Isto porque grande parte do faturamento das companhias vem do Governo Federal, fazendo com que suas receitas tenham maior previsibilidade. Também, vale ressaltar que as receitas não dependem da demanda por energia elétrica do consumidor.

Outro ponto importante refere-se a baixa necessidade de grandes investimentos, fazendo com que estas empresas possuam, de forma geral, baixos níveis de endividamento. E, quanto menor for a alavancagem, maior é a capacidade de distribuição de dividendos.

Dois exemplos de empresas do segmento de transmissão de energia são: Taesa (TAEE11) e ISA CTEEP (TRPL4). Nos últimos doze meses, as ações de TAEE11 se valorizaram quase 23,5%, enquanto TRPL4 registrou alta de 7,3% neste mesmo período.

O desempenho destas ações e do índice ao longo do ano pode ser observado no gráfico abaixo.

Geração de Energia

Como o próprio nome já define, o segmento de geração de energia compreende empresas responsáveis pelo fornecimento de energia elétrica. Como dito, dada a matriz energética brasileira, grande parte da potência produzida por essas companhias advém de hidrelétricas. Mas também, existe a utilização de termelétricas, parques eólicos e, mais recentemente e em aplicação crescente, a geração por meio de placas solares.

Dentre os três segmentos do setor elétrico, o de geração de energia tende a sofrer impactos intermediários entre os outros dois (distribuição e transmissão). Isto porque estas empresas possuem contratos pré-definidos de demanda de energia para as distribuidoras.

Atrelado a isto, as companhias de geração já contam com certos instrumentos de proteção contra períodos de maiores dificuldades, como no caso de escassez de água para as hidrelétricas por exemplo.

Como exemplos de empresas listadas em bolsa deste segmento há a Eletrobrás (ELET3) e a Engie (EGIE3). Nos últimos doze meses, ELET3 rentabilizou praticamente 11,8%, enquanto EGIE3 se desvalorizou cerca de 2,0%.

Vale ressaltar, no entanto, que várias das empresas citadas possuem atividades juntamente nos três segmentos.

O desempenho destas ações e do índice ao longo do ano pode ser observado no gráfico abaixo.

Boas Pagadoras de Dividendos

As empresas do setor elétrico possuem a fama de serem uma das mais “defensivas” da bolsa. Além do fato de seus papéis possuírem um histórico de menor volatilidade, as companhias possuem destaque na distribuição de dividendos, no geral.

O gráfico abaixo apresenta o dividend yield dos últimos doze meses das empresas do setor elétrico listadas no Índice Bovespa, em comparação com o yield médio do próprio IBOV.

O gráfico nos mostra que, das seis companhias, cinco delas detém um dividend yield superior ao médio do índice, indicando a boa distribuição de proventos.

Conclusão

Como visto, as companhias do setor elétrico podem ser consideradas como fundamentais na montagem de diversas carteiras de investimentos. E com a elevação da demanda por energia e a mudança cada vez mais necessária na matriz energética brasileira, o setor como um todo tende a ganhar em níveis de inovação e competividade para o futuro, favorecendo a geração de caixa das empresas e fortalecendo os lucros de seus acionistas.

Como você percebeu as empresas do setor elétrico são bastante interessantes para dividendos, e nós da Capitalizo estamos bem posicionados no setor na nossa carteira de dividendos. Quer saber mais? Fique por dentro da nossa assinatura Carteiras Capitalizo.

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Analistas Responsáveis

Danillo Sinigaglia Xavier Fratta, CNPI-T EM-1795

Daniel Karpouzas Barcellos, CNPI EM-1855

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