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De acordo com a pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), em maio, a intenção de consumo das famílias caiu pelo terceiro mês seguido. O ICF, índice que mede essa tendência, apresentou variação negativa de 1,7% na última passagem, atingindo 94,6 pontos. Destaque negativo para o baixo dinamismo do mercado de trabalho, alta de preços de alimentos e combustíveis e elevação no endividamento das famílias. Quanto às condições de consumo, o entendimento geral é de que o momento não é propício para compra de bens duráveis, mais precisamente eletrodomésticos e automóveis.

A confiança dos empresários do setor, de acordo com a mesma fonte, regrediu pelo segundo mês consecutivo. A variação negativa de 0,8% foi impulsionada pelo fraco desempenho da economia e pela redução no otimismo em relação a recuperação da atividade para o curto prazo. De acordo com os entrevistados pela pesquisa, os níveis de estoque ainda estão acima do ideal, indicando a fraca recuperação das vendas em relação ao previsto, e as perspectivas para novas contratações são as menores desde novembro de 2018.

O total de famílias endividadas passou de 62,7% para 63,4% na passagem de abril para maio. Esse movimento também representa alta considerável em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a fatia era de 59,1%. A tendência foi observada entre as faixas de renda pesquisadas, mas com maior intensidade nas famílias com renda acima de dez salários mínimos, onde a financiamento de carro e casa é mais relevante. Os principais tipos de dívida seguem sendo cartão de crédito e carnês, correspondendo a 78,6% e 15,8% do total, respectivamente.

De acordo com a pesquisa mensal do comércio, realizada pelo IBGE, o volume de vendas do comércio varejista regrediu 0,6% em abril frente ao período imediatamente anterior. Este resultado ocorreu devido a taxas negativas registradas em cinco das oito atividades analisadas. Destaque negativo para o grupo de hipermercados e supermercados, com diminuição de 0,9%, fechando três meses de retração. Tecidos, vestuário e calçados venderam 5,5% menos que março, fechando o segundo mês com queda. A maior variação foi observada em equipamentos e materiais para escritório, com diminuição de 8,0%.

O setor continua sofrendo com a fraca recuperação da economia, mais precisamente na lenta retomada do mercado de trabalho, o que acaba afetando a confiança dos consumidores e a perspectiva de aumento nas vendas.

Empresas do Setor

A Magazine Luiza apresentou, no primeiro trimestre de 2019, ganho na participação de mercado. Este movimento é explicado pelo forte desempenho do e-commerce e pela manutenção do crescimento constante no conceito mesmas lojas. As vendas online continuam em evolução devido ao incremento no número de sellers e sortimento do marketplace, melhora nas operações logísticas e impulso nos downloads do aplicativo da empresa. O Ebitda cresceu 6,0%, na comparação com o mesmo período do ano anterior, em função do incremento nas vendas e ganhos de escala. O retorno sobre o capital investido continua consistente, com ROIC de 35% nos últimos doze meses.

A Via Varejo apresentou resultados decepcionantes no primeiro trimestre, com retração nas vendas no conceito mesmas lojas e fraco desempenho do canal online. O Ebitda caiu 18,2%, reflexo da diminuição receita líquida, menor diluição de gastos fixos e impacto do fim de incentivos fiscais em determinados itens. Ponto positivo para a redução no prazo de permanência de estoques e para a situação de caixa líquido, uma vez que as disponibilidades superam o valor da dívida financeira. De acordo com fato relevante divulgado em 11 de junho de 2019, o conselho de administração do Grupo Pão de Açúcar (controlador) aprovou a venda da participação de 36,27% sobre o capital social da Via Varejo.

O Grupo Pão de Açúcar registrou evolução nas vendas no primeiro trimestre, apesar do efeito do descasamento da Páscoa. O Ebitda cresceu 15,2%, refletindo o desempenho operacional e o controle de gastos, sendo que as despesas cresceram abaixo da inflação no multivarejo. Destaque para o bom desempenho do e-commerce alimentar, ganho de market share e avanço nas inciativas digitais. Vale ressaltar a transformação da companhia, incluindo plataformas para venda de kits gastronômicos, encomenda e entrega de produtos a domicílio, penetração dos programas de fidelidade e novos processos para otimização de tempo de permanência nos estabelecimentos, como é o caso da utilização do escaneamento de compras na fila.

Um destaque positivo é a Lojas Renner. A empresa possui rentabilidade acima de seus pares e tendência positiva de vendas, contribuindo para um fluxo de caixa crescente. A posição no varejo de moda nacional está consolidada, com alta vantagem competitiva observada na diversificação geográfica e mix de produtos. Apresenta estrutura diferenciada em comparação a maioria de seus concorrentes, com produtos financeiros próprios, marca reconhecida e posicionamento em grandes centros comerciais, bem como shopping centers com alta circulação de pessoas.

Já as Lojas Americanas, mantém o compromisso de expandir seu negócio no território nacional, com abertura de novas lojas e maior alcance no número de cidades. Mesmo com o aumento do endividamento nos últimos anos para financiar o crescimento, a dívida líquida permaneceu praticamente em linha. Em contrapartida, a subsidiária B2W enfrenta aumento de concorrência no varejo eletrônico, acarretando menores margens no negócio. A unidade de e-commerce ainda conta com necessidade de investimentos em logística e tecnologia, impactando no caixa.

Segue abaixo os indicadores de mercado das empresas comentadas. Os dados devem ser utilizados apenas para comparação entre empresas com atividades similares, o que não é o caso de todas as companhias dentro da seleção. Por exemplo, a Lojas Renner é uma varejista de vestuário, o Pão de Açúcar possui grande presença no segmento de supermercados e a Magazine Luiza está voltada para venda de eletrodomésticos, móveis e produtos de lazer.

Fontes: Confederação Nacional do Comércio, IBGE e RI das empresas

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Analistas Responsáveis

Danillo Sinigaglia Xavier Fratta, CNPI-T EM-1795

Daniel Karpouzas Barcellos, CNPI EM-1855

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Fontes das Informações: Valor. InfoMoney. Quantum. Estadão. Broadcast. Folha. Exame. B3. MoneyTimes.

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